Romance I ‘Ela’ radicaliza a impossibilidade do contato humano (14/02/14)

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

Pode não ter nada a ver, mas vale lembrar que num filme antigo – Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo – Woody Allen mostra Gene Wilder como um homem que se apaixonava por uma ovelha e, abandonado por ela, tornava-se alcoólatra e caía na sarjeta. Era divertido e bizarro, mas não mais que a história de Ela, sobre o homem que se apaixona pela voz feminina de seu sistema operacional em seu computador e em seu celular.

O longa de Spike Jonze com Joaquin Phoenix. que estreia hoje, concorre a várias categorias no Oscar 2014. Antes que você diga que não tem nada a ver comparar zoofilia com sexo virtual – o segundo é mais clean –, o traço comum entre Woody Allen, há 40 anos, e Spike Jonze, hoje, é que ambos falam da dificuldade de comunicação entre as pessoas. De preconceito, também.

Descoberta a zoofilia, Gene Wilder era tratado como um caso e rejeitado pelos amigos de ontem. O casal de amigos de Joaquin pode até aceitar ir à praia com seu celular e ele. Fazer sexo com uma voz que geme e sussurra, afinal, não é mais estranho do que todos aqueles jogos interativos em que a ex-mulher atira na cara do que foi seu marido que ele não tem jeito, nunca vai amadurecer.

A verdade é que, por absurda (bizarra) que pareça a história de Ela, reflete uma característica (problema?) contemporânea(o). As pessoas estão passando mais tempo navegando na internet ou com seus celulares e iPads do que com seus entes queridos.

Spike Jonze nem sempre acerta o tom, mas é um dos diretores/autores mais talentosos de sua geração. E ele tem ideias originais – Quero Ser John Malkovich era sobre um sujeito que descobria, em seu escritório, uma passagem para a mente do ator; Adaptação, com roteiro de Charlie e Donald Kaufman, era sobre a dificuldade de adaptação de um livro etc.

Jonze agora radicaliza uma crítica ao comportamento humano face à (r)evolução dos costumes provocada pela internet e suas redes sociais. Joaquin até que tenta se relacionar, mas nada parece dar certo, e ele afunda no mal-estar. É verdade que isso ajuda em sua atividade, porque o solitário é um profissional que escreve e responde a cartas e cartões de amor. É bom com as palavras e uma editora até quer publicar um livro com uma seleção de seus textos.

Quem lhe dá forças é a mulher dentro de seu sistema operacional. A voz da mulher. Tudo começa meio inocente, quando vê a publicidade desse novo lançamento. Tudo na mulher desejada – dentro do computador – pode ser personalizado, ou assim parece. E como a voz sedutora é de ninguém menos que a de Scarlett Johansson, não surpreende que logo logo o herói esteja caidinho pela nova “namorada”.

Seu bem-estar é tão flagrante que desperta inveja e até ciúme na amiga que se separou do marido e talvez esteja interessada nele.

Por maluca que pareça a história, Jonze quer que o espectador acredite nela e a narra com o pé no real. O problema é a perda dos limites entre o que é real e o que não é. Ela é muito bem feito, muito bem fotografado. 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen – um artista que veio das artes visuais –, pode ser melhor (e é), mas certamente, pela próprias natureza do tema, não é tão bonito. O trabalho de cor e cenografia – nos ambientes, nas roupas – compõe um primor de elegância.

Há algo de futurista, e tudo, ao mesmo tempo, é perfeitamente viável. O futuro já chegou. A arquitetura dramática converge para o momento desmistificador, em que Joaquin, falando com sua amada, descobre que não é o único amante.

Phoenix é maravilhoso no papel. No limite, o que Jonze está querendo dizer pode até parecer banal – nada substitui as relações humanas. Mas é um sinal dos tempos que seja necessária uma fábula para nos lembrar disso. É um belíssimo filme, dos melhores deste Oscar.

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Romance I Antes da Meia-Noite: Jesse e Celine voltam a andar e conversar para encerrar a mais romântica trilogia do cinema    (14/06/13)

Quando saltaram do trem para viver uma noite de amor em Viena, Jesse e Celine, de "Antes do Amanhecer" (1995), entraram para a lista dos casais inesquecíveis do cinema. Nove anos depois, em "Antes do Pôr-do-Sol", eles se reencontraram em Paris e decidiram abandonar tudo para ficar juntos. O público comemorou: finalmente, chegou o final feliz.

Feliz, sim, mas bem longe daqueles dos contos de fada, ou mesmo da maior parte dos filmes românticos de Hollywood. Em "Antes da Meia-Noite", que estreia nesta sexta-feira (14), os personagens de Ethan Hawke e Julie Delpy estão juntos e são pais de gêmeas de sete anos, mas encaram um desafio: continuar apaixonados apesar de todos os problemas trazidos pelo casamento e pela convivência diária.

Os três filmes da série - todos dirigidos por Richard Linklater, que assina o roteiro com Hawke e Delpy - funcionam como um retrato do amor em cada fase da vida - aos 20, 30 e 40 anos. Os longos diálogos de Jesse e Celine sobre relacionamento, sexo, casamento, morte e passagem do tempo soam tão verdadeiros, e a atuação de Hawke e Delpy tão natural, que os dois se parecem com qualquer casal comum.

"Antes da Meia-Noite" segue a mesma fórmula simples, com longos planos sem cortes e muitos diálogos, mas as conversas existenciais parecem menos naturais entre um casal que está junto há anos do que entre quem acabou de se conhecer.

Para solucionar o problema, Linklater, Hawke e Delpy ampliaram a interação de Jesse e Celine com outros personagens, especialmente em uma cena no início do filme, na qual os dois almoçam com amigos durante férias no sul da Grécia. A cena revela bastante sobre o momento atual do casal, com pequenas farpas aqui e ali, mas tem diálogos fracos e parece forçada.

Com isso, "Antes da Meia-Noite" demora a engatar, o que só acontece do meio para o fim. Jesse e Celine vão a um hotel para uma noite sem as crianças, mas começam a brigar após uma ligação de Hank, filho de 14 anos do primeiro casamento de Jesse, que vive nos Estados Unidos com a mãe.

Sentindo-se culpado e distante ao deixar o menino no aeroporto na manhã daquele mesmo dia, Jesse passa a considerar a possibilidade de trocar Paris por Chicago. Celine, por sua vez, encara tal pensamento como determinação e dá início a uma pesada discussão de relação, cheia de acusações, xingamentos e palavras duras.

Está claro que aquela não é uma briga ocasional, mas a explosão de uma série de questões que acompanha o casal há anos: o peso das escolhas feitas no passado, os sonhos que cada um abandonou pelo outro, as mudanças trazidas pelo nascimento das crianças e a falta de tempo para os dois. Nos primeiros filmes, se entregar ao amor era a única saída possível. Hoje, eles sentem as consequências da decisão, que também causou mágoas e separações.

O fim das ilusões pesa tanto para Jesse e Celine quanto para o público, que se acostumou à "fofura" do casal e previu futuro diferente. Mas "Antes da Meia-Noite" tem o cuidado de não esquecer completamente o romantismo que uniu os dois personagens, tirando da realidade a beleza desta nova fase. "Essa é a vida real", diz Jesse. "Não é perfeita, mas é real."

Diálogos como este soam diferentes dos de "Antes do Pôr-do-Sol", quando Jesse falava de seu casamento infeliz e das decepções da vida adulta. As coisas continuam difíceis, mas, desta vez, ele está disposto a passar por elas para continuar com Celine. Ao que parece, não há maior demonstração de amor. Luísa Pécora

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Romance I Antes da Meia-Noite, estrelado por Ethan Hawke e Julie Delpy, ganha o seu primeiro clipe    (01/04/13)

Antes da Meia-Noite (Before Midnight), o terceiro filme do diretor Richard Linklater com Ethan HawkeJulie Delpy, ganhou o seu primeiro clipe:

Depois de se apaixonarem em Viena, em Antes do Amanhecer, e se reencontrarem em Paris em Antes do Pôr do Sol, o casal Jesse (Hawke) e Celine (Delpy) agora flana por Messínia, no sudoeste da Grécia. Linklater teria escolhido essas locações porque o filme está sendo bancado em parceria com a produtora grega Faliro House.

Antes da Meia-Noite estreia em 7 de junho no Brasil.

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Romance / Morning Glory, comédia estrelada por Harrison Ford, Rachel McAdams e Diane Keaton, ganhou o seu primeiro trailer (27/05/10)

Embora o chamariz seja a presença de Ford, a história joga o tradicional conflito carreira-versus-vida pessoal todo em cima de McAdams.

Roteirizado por Aline Brosh McKenna (O Diabo Veste Prada), o filme acompanha uma produtora de telejornal (McAdams) que recruta um icônico e difícil âncora (Ford) para reerguer o programa matinal da emissora, coapresentado por uma ex-rainha de concurso de beleza (Keaton). Patrick Wilson e Jeff Goldblum também estão no elenco. A direção é de Roger Michell (Um Lugar chamado Notting Hill, Vênus). O filme estreia em 12 de novembro nos EUA e em fevereiro de 2011 no Brasil.

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