creativity never sleeps
Quando a Academia de Hollywood aumentou para dez o número de indicados a melhor filme, a ideia era tornar o Oscar mais popular, permitindo a entrada de concorrentes com que o público se identificasse. A manobra não deu muito certo, como comprovam os indicados deste ano, com uma única exceção: "Histórias Cruzadas", de longe o longa-metragem com maior bilheteria da lista (US$ 169 milhões só nos Estados Unidos).
Baseado no best-seller "A Resposta", o filme estreia nesta sexta-feira (03) no Brasil com a expectativa de, igualmente, atrair espectadores ávidos por uma história edificante e de fácil identificação. Escrito por Kathryn Stockett, o romance é inspirado na infância da autora, criada por uma empregada negra na cidadezinha de Jackson, no Estado do Mississipi.
Apadrinhado pela apresentadora Oprah Winfrey, o livro virou fenômeno de vendas e ajudou a carreira do filme – depois de uma estreia modesta, o boca a boca nas semanas seguintes se encarregou de catapultá-lo para a liderança na América do Norte. O sucesso não é nada difícil de entender, já que "Histórias Cruzadas" mistura os ingredientes básicos para agradar multidões: relevância social, humor, certo romance e farta abertura para lágrimas.
Recém-formada, a jovem Eugenia "Skeeter" (Emma Stone) deixa a universidade e volta para sua cidade-natal, Jackson, com a ambição de se tornar escritora. O cenário são os EUA do início da década de 1960, quando as lutas pelos direitos civis começavam a se alastrar pelo país.
Viola Davis em "Histórias Cruzadas": segregação racial nos EUA da década de 1960
No sul, no entanto, a consciência ainda era de outro século: empregados negros tinham talheres próprios, o contato físico com os patrões era evitado e, conforme a legistação estadual, conversas entre brancos e negros podiam ser até ilegais. Salário mínimo, férias e assistência social não eram nem cogitados.
É nesse contexto que Skeeter, contratada como colunista de assuntos domésticos do jornal local, desperta para as diferenças desse quase apartheid. Apesar de criarem os filhos das patroas brancas como se fossem seus, as serviçais, por conta da "sanidade", precisam até mesmo usar um banheiro construído na rua, nova bandeira da líder comunitária local, a perua e vilã Hilly (Bryce Dallas Howard).
A ideia de um livro em que as empregadas contem tudo o que sofrem no trabalho surge como a salvação de todo mundo – a redenção das empregadas e a chance de Skeeter virar uma escritora.
Daí surgem as verdadeiras protagonistas. Viola Davis, forte candidata ao Oscar de atriz, interpreta Aibileen, doméstica veterana que já criou 17 crianças. Calada e com olhar sofrido, são dela os momentos mais emocionantes do filme. Já a Octavia Spencer, virtual ganhadora da estatueta de atriz coadjuvante, cabe ser o alívio cômico, a desbocada Minny. Jessica Chastain, também indicada a coadjuvante, vive uma nova moradora da cidade, hostilizada pelas outras por ter se casado grávida com um bom partido local.
"Histórias Cruzadas" é exatamente o que parece: meloso até não poder mais. Da trilha sonora apelativa aos personagens previsíveis, tudo está envolto numa camada extra de açúcar.
Tate Taylor, ator que se tornou roteirista e cineasta, não é nada sutil atrás das câmeras e fez um trabalho genérico, com jeitão de novela. Sua competência para o cargo, aliás, nunca foi colocada à prova: é amigo de infância da autora do romance, que lhe concedeu os direitos de filmagem antes mesmo do livro ser publicado.
Apesar disso, "Histórias Cruzadas" funciona. A sorte de Taylor foi ter escalado um elenco excelente. Além das atrizes que concorrem ao Oscar, o grupo tem Emma Stone, nova queridinha de Hollywood e em breve estrela de "O Espetacular Homem-Aranha", a excelente Allison Janney, Mary Steenburgen, a veterana Cicely Tyson e a pequena participação de Sissy Spacek, que rouba todas as cenas em que aparece. Não à toa o filme teve o elenco reconhecido como o melhor da temporada pelo Sindicato dos Atores.
Com esse amparo e a contudente segregação racial, sempre eficaz para gerar emoções, "Histórias Cruzadas" se mostra entretenimento fácil e competente. Não deixa de incomodar o fato de o destino das empregadas ter ficado nas mãos da heroína branca, mas é uma das nuances que o roteiro de Taylor deixa em aberto. Se o filme satisfaz com sua simpatia, não deixa de ser intrigante imaginar como "A Resposta" teria ficado nas mãos de um diretor de verdade. Marco Tomazzoni
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Gerard Butler é religioso polêmico no drama 'Redenção' (16/12/11)
Uma milícia mata indiscriminadamente os habitantes de um vilarejo localizado ao sul do Sudão. Em uma cena dantesca, um dos soldados exige a uma criança que mate a própria mãe, para sua vida ser poupada. A mulher, uma mártir, acena a cabeça afirmativamente para o filho pedindo que o faça.
Apesar da crueldade ímpar, a sequência inicial de "Redenção" não prepara o espectador para o que vem pela frente. O filme é baseado na vida do norte-americano Sam Childers, que largou as drogas e o crime quando se converteu a uma igreja pentecostal. A história seria apenas banal, se não fosse uma segunda conversão que o tornaria o "pregador-metralhadora" ("Machine Gun Preacher", título original da produção).
Longe das drogas, Childers (Gerard Butler) torna-se bem-sucedido como construtor e fiel praticante da igreja. Em uma das missas, no entanto, um pastor roga por ajuda às crianças africanas. Comovido, o novo Childers parte para o Sudão com o objetivo de construir casas para os desabrigados, vítimas da guerra civil - que nessa época já durava 20 anos. É o primeiro passo para sua segunda transformação.
Ao assistir de perto aos resultados dos massacres, ele acredita que Deus o guiou até lá, onde constroi uma igreja e um orfanato, apesar dos perigos dos grupos paramilitares. O local, no meio do nada, torna-se rapidamente um refúgio para as crianças da região, e Childers, um inimigo do perigoso grupo LRA, que oferece uma recompensa por sua cabeça.
Como tem alguma experiência com armas (graças a sua vida transgressora) o pastor torna-se uma espécie de Rambo para defender seus órfãos. Na pele do protagonista, o ator escocês Gerard Butler se dá bem no papel, ao conseguir caracterizar com grande acerto os difíceis níveis da psicologia de seu personagem.
Também é louvável o trabalho do diretor alemão radicado nos EUA Marc Forster, que mais uma vez comprova ser um dos mais talentosos de sua geração. Como visto no visceral "A Última Ceia" (2001), no sensível "Em Busca da Terra do Nunca" (2004) e no vigoroso "007 - Quantum of Solace" (2008), Forster conhece os gêneros e, aqui, maneja-os com muita propriedade.
Não é fácil o caminho de Childers, que se afasta de sua mulher Lynn (Michelle Monaghan), da filha Paige (Madeline Carroll) e, em determinado momento, do próprio Deus em sua empreitada. As nuances da personalidade do "pregador-metralhadora", inerentes a esse paradoxo, mostram como são duvidosas as linhas morais em situação de emergência.
A produção não fez muito sucesso nos Estados Unidos e chegou a receber críticas de organizações ecumênicas sobre a religião associada à guerra. Mas o fato é que, como mostra a história, só se chegou onde se chegou por uma total falta de apoio.
Marc Forster, como demonstrou em "O Caçador de Pipas" (2007), também não se esquece de que trabalha em Hollywood e, por isso, não deixa de adocicar a trama com recursos fáceis, muitas vezes inconsistentes. Um exemplo é o diálogo travado entre o herói e sua esposa, quando ele pensa em largar tudo: "Pare de choramingar, as crianças não desistiram."
Como o pastor continua seu trabalho no Sudão, o filme não tem um ponto final, recorrendo a fotos do verdadeiro Sam Childers e família, além de imagens aterradoras dos conflitos. Ao deixar aberto o desfecho, Forster delega ao espectador o difícil ônus do debate moral que a obra suscita. Reuters
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'Two of Us', dos Beatles, dá o tom para 'Inquietos', novo longa dirigido por Gus Van Sant (25/11/11)
Gus Van Sant virou um especialista em jovens. Com raras exceções, nove entre dez (11?) de seus filmes tratam dos dramas da juventude, desde Drugstore Cowboy e Garotos de Programa (My Own Private Idaho), por volta de 1990, até Elefante, Últimos Dias e Paranoid Park, nos anos 2000.
O novo Gus Van Sant, que estreia hoje, inaugurou a seção Un Certain Regard em Cannes, em maio deste ano. Restless ficou sendo Inquietos no Brasil. O filme nasceu como projeto da atriz, aqui produtora, Bryce Dallas Howard. Apaixonada pelo roteiro de Jason Lew - que havia sido seu colega de curso -, ela conseguiu o apoio do pai, o cineasta Ron Howard, para produzir e encaminhou o script para Gus. "Recebo muitos roteiros de jovens e sobre jovens. A primeira coisa que me interessa é a história. Depois, avalio as questões técnicas. O desenho dos personagens, a viabilidade das produções. Tudo era tão perfeito em Inquietos que não resisti."
Inquietos abre-se com uma canção dos Beatles. "Nunca havia usado nada deles, mas a rodagem foi tão econômica que sobrou dinheiro. Estava sendo difícil encontrar a música, pelo próprio tom do filme. Bryce sugeriu Two of Us e bancou a aquisição." Two of us/riding nowhere/spending someone’s earned paid money/not arriving/on our way back home. Traduzindo dá o sentido das vidas de Enoch e Annabel quando se encontram. "Dois de nós/dirigindo em lugar nenhum/gastando o dinheiro que foi difícil de ganhar para alguém/perdidos, sem chegar, no caminho de volta para casa."

Mas The Fairest of the Seasons, de Jackson Browne, no encerramento, por Nico, foi uma escolha dele. "É triste na medida, sem exagero", ele define. "Agora que é hora/Agora que o ponteiro aterrissou no fim/Agora que é real/Agora que os sonhos deram tudo o que tinham de emprestar/Quero saber se fico ou se vou/E talvez tente outra vez/E eu realmente tenho uma mão no meu esquecimento?" Um filme sobre a morte, não depressivo e com muitos silêncios. "Nenhum outro filme meu valoriza tanto os olhares dos atores. Ele falam pelos olhos tanto quanto com palavras e gestos. Mia e Henry foram ótimos", sentencia Gus.
A dupla, por sua vez, não mede elogios para o diretor. Mia, atriz de Tim Burton e Lisa Cholodenko (Minhas Mães e Meu Pai), está virando um ícone do cinema de autor nos EUA. "Sempre gostei do cinema de Gus porque ele tem respeito pelo jovem. Não nos trata como débeis mentais eternamente no cio, como na maioria das produções de Hollywood voltadas para o público teen", ela avalia. Henry contou uma história. "Estava em Berlim com amigos e havia este homem que tocava saxofone no metrô. Aos pés, tinha um prato de papel, com restos de comida. Ao ver nosso interesse, ele disse - 'Façam sempre as escolhas que forem mais bonitas para vocês. A vida é muito curta para ser desperdiçada'. Foi um momento mágico. Aquela poderia ter sido uma frase de meu pai.
Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo
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“Melancolia”, de Lars Von Trier, traz Kirsten Dunst e história apocalíptica (05/08/11)
Cena de “Melancolia”, de Lars Von Trier ©Reprodução
Lars Von Trier é quase unanimidade quando se fala em polêmica. Ou são seus filmes, ou suas declarações, como no último festival de Cannes, quando mencionou o nazismo em contexto suspeito. O ousado diretor de longas como “Dogville”, “Dançando no Escuro” e “Anticristo” se embrenha no estado psicológico da “Melancolia” (”Melancholia”), que tem conexão direta com seu lado pessoal: “Tem relação com coisas recentes da minha vida, como minha depressão”.
“Melancolia” usa de tema apocalíptico, quando um planeta, chamado Melancolia, está em vias de colidir com a Terra, o que resultaria em sua completa destruição. No meio disso tudo, Justine, personagem de Kirsten Dunst, está para casar com Michael, interpretado pelo ator Alexander Skarsgard, o vampiro Eric de “True Blood”.
+ Assista ao trailer de “Melancolia” abaixo:
Quem tem como referência o filme anterior, “Anticristo”, de 2009, pode se surpreender, já que a abordagem é bastante diferente. Em “Melancolia”, Von Trier faz uma homenagem à vida. “Não diria que é meu filme mais pessoal, mas sim que foi um dos que mais tive prazer em fazer”, afirmou à “Folha de S.Paulo”. O diretor completou que esse é um filme romântico com toques de humor (vindo do diretor, é bom não se animar muito): “”É que, quando eu faço comédias, elas ficam muito melancólicas. Essa era para ser uma comédia. Vocês não vão querer ver quando eu fizer uma tragédia”, brincou o diretor em entrevista.
Enquanto estava em depressão, Von Trier fez um de seus filmes mais perturbadores, “Anticristo”, e ao sair dela, criou “Melancolia”, que estreia hoje no Brasil. “Há uma espécie de bênção nesse momento em que você desiste de tudo. Quando sai disso, vem a melancolia”, falou ao jornal.
O elenco, Kiefer Sutherland, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg, com o diretor
Além de Kirsten Dunst, que faz sua estreia nos filmes do diretor, o longa conta com a francesa Charlotte Gainsbourg, que esteve no longa anterior e ganhou o prêmio de melhor atriz, em Cannes, por ele. E a francesa afirma que o modo como Von Trier dirige suas atrizes, de levá-las a extremos, não mudou. “Ele continua pressionando. Segue não respondendo minhas perguntas. Não me dava nenhuma resposta sobre as dúvidas que eu tinha do roteiro. Mas eu gosto disso, gosto de estar no escuro”, disse em entrevista.
E se você não se interessa pelos filmes do diretor, vale dizer que Kirsten Dunst aparece completamente nua, iluminada pela luz da lua. E é tudo de verdade, já que o diretor se recusou a usar qualquer tipo de retoque. “Eu confiei em todos, e a luz era linda. Não malhei antes, foi tudo bem natural. Não tenho nenhum grande problema com meu corpo. Eu nunca como excessivamente, perco peso no verão e ganho no inverno e sim, eu tenho peitões. As pessoas não imaginam porque eu cubro muito, mas eles estão ali. Peitões”, contou em entrevista à “Elle” britânica de setembro, em que também estampa a capa. (Stephanie Noelle -ffw)
Kirsten estrela a edição de setembro da “Elle” UK ©Reprodução “Elle”
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Nicole Kidman volta à boa forma em "Reencontrando a Felicidade" (06/05/11)
Ao lado de elenco excelente, estrela incorpora um doloroso retrato da perda
Após anos amargando um fracasso atrás do outro, Nicole Kidman resolveu produzir uma adaptação da peça "Rabbit Hole", vencedora do Pulitzer, e a aposta deu certo. Aos 43 anos, a atriz foi lembrada por praticamente todos os prêmios da temporada e recebeu uma indicação ao Oscar 2011. Com razão. "Reencontrando a Felicidade", título nacional piegas para o filme que estreia nesta sexta-feira (06) no país, é um doloroso retrato da perda e Kidman serviu como estandarte para o elenco competentíssimo que a acompanha.
Dona de casa dedicada, Becca (Kidman) esconde nos afazeres domésticos o coração dilacerado pela morte do filho de quatro anos. Já se passaram oito meses, mas, no fundo, o tempo passa como se o acidente tivesse acontecido há poucos dias. Becca esconde brinquedos, roupas, se desfaz do cachorro para aliviar a rotina. O pai, Howie (Aaron Eckart), por outro lado, lida com a dor de um jeito diferente – tenta seguir em frente e manter uma vida social, embora gaste as madrugadas vendo vídeos da criança. Faz questão, ao contrário da mulher, de manter viva a presença do filho.
O casamento anda aos frangalhos e os dois buscam consolo num grupo de apoio. Ali, a raiva de Becca aflora e ela reage com acidez e humor à hipocrisia da mão no ombro e da religião. É o mesmo mecanismo que usa para fugir dos conselhos da mãe (Dianne Wiest) e sua insistência em comparar as mortes do neto e do filho, irmão de Becca.
Ainda há amor, mas o clima na casa se torna opressor, às vezes asfixiante. O casal se afasta cada vez mais, numa forma solitária de encarar a saudade, atrás de compensação ou alívio, e desenvolve relações secretas. Becca procura o adolescente (Miles Teller) que atropelou seu filho, enquanto Howie fuma maconha e se diverte com uma colega do grupo de apoio (Sandra Oh).
Esses desejos escondidos são o único ponto comum entre "Reencontrando a Felicidade" e os outros trabalhos do diretor John Cameron Mitchell. O filme fica longe da transgressão de "Hedwig - Rock, Amor e Traição" (2001) e do choque comportamental de "Shortbus". Aqui, Mitchell surge quase minimalista no estilo e deixa a força para os diálogos e situações criadas pelo dramaturgo David Lindsay-Abaire, que também escreveu o roteiro.
É um projeto de orçamento pequeno (US$ 5 milhões) e emoções superlativas. Muito se falou sobre a atuação de Kidman, mas a força se divide igualmente entre os outros atores. Eckart não foi o outdoor da máquina de promoção, mas entrega uma performance poderosa, sem dúvida um de seus melhores trabalhos. Dianne Wiest, por sua vez, está soberba. Se não fosse a forte figura midiática de Kidman, seguramente seria lembrada nos prêmios a coadjuvante.
Quanto à estrela, há anos ela não aparecia tão segura em cena. Faz uma interpretação de nuances, sofrida como a personagem, que se torna explosiva quando a mãe tira a máscara da tranquilidade e mostra a dor que sente por dentro. Um trabalho forte, que só peca, bem, por uma máscara de fato.
As plásticas de Kidman deixaram seu rosto praticamente inexpressivo. Em determinado momento, Becca grita e nenhuma linha – nenhuma – se forma nas bochechas ou na testa. É um busto de porcelana assustador no qual fica difícil de se acreditar, mesmo com lágrimas fartas. Além do mais, uma dona de casa suburbana dificilmente investiria em lábios falsos e intervenções cirúrgicas para ter uma face intocada. Não resta qualquer dúvida do talento de Nicole Kidman. O duro vai ser olhar para ela no futuro.
Marco Tomazzoni
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“Além da Vida” (“Hereafter”), do diretor norte-americano Clint Eastwood (07/01/11)

A onda de filmes espíritas que invadiu os cinemas brasileiros em 2010 pode levar até os fãs mais fiéis do cineasta norte-americano Clint Eastwood a torcer o nariz para seu novo trabalho, “Além da Vida” (“Hereafter”), que estreia nesta sexta-feira (7). O título em português, digno de novela das seis, deve reforçar a impressão de que, aos 80 anos, o consagrado diretor decidiu convencer o público sobre a existência de vida após a morte.
Eastwood, porém, não é afeito a filmes de tese. Mesmo ao lidar com temas polêmicos – a eutanásia em “Menina de Ouro” (2004) e a pena de morte em “Crime Verdadeiro” (1999), por exemplo –, ele sempre prefere contar uma boa história a fazer campanha. Em “Além da Vida”, segue a mesma linha: parte do princípio de que existe vida após a morte sem tentar oferecer respostas para as questões dos personagens ou as do público. É, sem dúvida, o filme mais espiritual do diretor, ainda que o sobrenatural já tenha marcado presença em obras como “Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal” (1997) e, de forma indireta, “O Estranho Sem Nome” (1973).

“Além da Vida” acompanha três personagens que, de formas distintas, estão ligados à morte. Em São Francisco, George Lonegan (Matt Damon, em excelente e sutil atuação) tenta deixar para trás uma promissora carreira como médium. O dom de estabelecer contato com pessoas mortas, que possui desde a infância, tornou-se para ele uma maldição que o impede de levar uma vida normal.
Em Londres, o garoto Marcus sofre com a trágica morte do irmão gêmeo, Jason (George e Frankie McLaren se revezam nos dois papéis), e recorre a todo tipo de crença e tecnologia para entrar em contato com ele: videntes, centros espíritas, vídeos religiosos, microfones superpoderosos e até a observação de espelhos.
Em Paris, a jornalista Marie Lelay (a ótima atriz belga Cécile De France) vê sua vida mudar radicalmente após sobreviver ao tsunami de 2004, recriado por Eastwood em uma sequência de tirar o fôlego (“Além da Vida” foi pré-selecionado para o Oscar de efeitos visuais). Engolida pelas ondas gigantes, ela passa pela chamada "experiência de quase-morte" e, de volta para casa, se dedica a investigá-la.

Com a história de Marie, Eastwood e o roteirista Peter Morgan (de “A Rainha” e “Frost/Nixon”) retratam quem acredita na vida após a morte como vítimas de isolamento e preconceito. A obsessão da jornalista pelo tema tira sua credibilidade e coloca em risco uma carreira em ascensão na TV francesa e um relacionamento amoroso, ainda que sua crença seja mais científica que religiosa. Cada vez mais sozinha, Marie sentirá alívio no encontro com pessoas como ela, com quem possa dividir abertamente o interesse por perguntas que, para grande parte da sociedade, não devem ser feitas.
O encontro entre os três personagens principais será tão conveniente quanto pouco convincente, e a "forçada de barra" para os destinos se cruzarem tira parte da força de “Além da Vida”. O excesso de coincidência, porém, não diminui o prazer de acompanhar o modo detalhado com que Eastwood apresenta as histórias de George, Marcus e Marie, talvez a grande qualidade do filme.
Em entrevista à televisão canadense durante o Festival de Toronto, Clint explicou a preferência por um ritmo mais lento: "Na geração MTV em que vivemos, é algo de que ainda gosto: que possamos desenvolver as histórias de verdade e conhecer as pessoas em detalhes, ao invés de apenas jogar com a dificuldade de concentração dos dias de hoje".

Em um dos melhores momentos do filme, George aproveita uma aula de culinária para conhecer Melanie (Bryce Dallas-Howard, muito bem no papel), uma jovem tão solitária quanto ele. A conversa cheia de revelações acontece durante um dos exercícios, no qual, vendada, ela deve descobrir os ingredientes das pequenas porções servidas por George. A cena – simples, original e bonita – acrescenta pouco em termos de ação, mas é um verdadeiro primor no que diz respeito à construção de personagens.
Com sequências como essa, Clint faz um filme mais sobre a vida que sobre a morte, no qual as especulações sobre “o outro lado” não se sobrepõem ao “mundo real”. Em meio a tantas dúvidas sobre o que vem depois, só há uma certeza: a vida será sempre limitada e as verdadeiras conexões devem ser feitas agora. (Luísa Pécora)
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Diretor Julio Medem explora romance lésbico em "Um Quarto em Roma" (26/11/10)
É difícil entender o que aconteceu com Julio Medem. O diretor espanhol, cultuado por filmes como "Os Amantes do Círculo Polar" (1998) e "Lúcia e o Sexo" (2001), enveredou por caminhos confusos e não é mais o mesmo. Seu recente filme "Caótica Ana" (2007) já demonstrava falta de foco e de rumo. O mesmo acontece neste novo "Um Quarto em Roma". Centrando a narrativa em duas jovens e belas mulheres, a espanhola Alba (Elena Anaya, de "Lúcia e o Sexo") e a russa Natasha (Natasha Yaroveko), conta-se a história de uma paixão. As duas moças se encontraram na capital italiana, se olharam num bar e, mesmo que Natasha esteja de casamento marcado e nunca tenha ficado com uma mulher, ela aceita passar a noite com Alba. No dia seguinte, as duas partem para seus respectivos países e vidas bem diferentes.
Mesmo que a trama não tenha originalidade - já foi explorada em filmes como o chileno "Na Cama", de Matias Bize, "Antes do Amanhecer", de Richard Linklater, e tantos outros -, poderia, ainda assim, tornar-se interessante. Um problema está no roteiro - do próprio Medem -, inconsistente e pretensioso quando faz digressões sobre música e os quadros que enfeitam o quarto de hotel romano que será praticamente o único cenário de todo o filme. Outro problema está no elenco. Elena Anaya é uma atriz, tendo provado seus talentos em trabalhos de Pedro Almodóvar, como "Fale com Ela". Mas ela tem dois inimigos, um no roteiro fraco, que lhe destina frases difíceis de proferir, outro na canastrona colega de cena, a bela ucraniana Natasha Yarovenko. Por causa da fragilidade de interpretação de Natasha, não se consegue acreditar por um minuto na avassaladora paixão que está consumindo as duas moças, que é a espinha dorsal da história.
Embora sejam as duas belíssimas, corpos esculturais e tudo, não conseguem suprir a deficiência básica de "Um Quarto em Roma" - um filme cuja sensualidade artificial chega a cansar. De novo, cabe a pergunta: o que terá acontecido a Julio Medem? Será que ainda vai ter jeito no futuro? (Reuters) ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Veja Gwyneth Paltrow de cantora decadente no trailer de Country Strong (13/09/10) _ Acaba de sair o trailer de Country Strong (ex-Love Don't Let Me Down), que tem Gwyneth Paltrow atuando ao lado do cantor country Tim McGraw, Garrett Hedlund (Eragon, Tron: O Legado) e Leighton Meester (Gossip Girl).

A história mostra Hedlund como um cantor em ascensão que acaba se envolvendo com uma cantora country decadente (Paltrow) e embarca numa turnê pensada para reacender a carreira dela. Eles são acompanhados na viagem pelo personagem de Tim McGraw, marido e gerente da cantora, e Leighton Meester, vencedora de um concursos de beleza que virou cantora. A direção e o roteiro ficam por conta de Shana Feste, indicada este ano ao prêmio do júri em Sundance por The Greatest, seu longa de estreia. Country Strong estreia nos EUA em circuito reduzido em 22 de dezembro. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Diretor Paul Thomas Anderson, de Sangue Negro quer polemizar com a cientologia (04/06/10) _ O diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”) está preparando um filme sobre uma seita que possui muitos paralelos com a cientologia, seguida por vários astros de Hollywood como Tom Cruise e John Travolta. O tema é polêmico e já foi dispensado pelos estúdios Universal, que disseram não ter interesse em distribuir o filme. Ele será filmado de forma independente.

A produção possui o título provisório de “The Master”. Acompanha um líder carismático, fundador na década de 50 de uma organização baseada na fé, que se torna um império. Na trama, ele será confrontado por um de seus seguidores, um ex-alcoólatra chamado Freddie Sutton, que começa a questionar os ideais da seita. O Mestre será vivido por Philip Seymour Hoffman (“Capote”) e Freddie será interpretado por Jeremy Ranner (“Guerra ao Terror”). Anderson ofereceu o papel de Mary Sue, esposa do Mestre, para Reese Witherspoon (“Johnny & June”), que ainda não confirmou sua participação. O diretor agora busca uma atriz para viver a filha do Mestre. A escolha está entre Amanda Seyfried (“Dear John”), Emma Stone (“Zumbielândia”) e Deborah Ann Woll (“True Blood”). _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Veja imagens de Coriolanus, o primeiro filme dirigido por Ralph Fiennes (02/06/10) __ As filmagens de Coriolanus, filme que marca a estreia de Ralph Fiennes (Harry Potter) como diretor, já estão acontecendo na Sérvia. Saem agora as primeiras imagens do filme. Gerard Butler (300) estrela o longa ao lado de William Hurt, Eddie Marsan, Jessica Chastain e Vanessa Redgrave. Fiennes também vai atuar no filme.
A adaptação da peça Coriolano é um drama político e familiar sobre o general romano Caio Márcio, que tomou a cidade Corioli dos Volscos, tornando-se a figura política mais odiada pelo povo romano. Fiennes quer fazer uma versão contemporânea da tragédia, escrita por William Shakespeare. Butler interpretará Tullus Aufidius, general do exército volsconiano. O roteiro foi escrito por John Logan (O Último Samurai). O filme ainda não tem data de lançamento definida.









______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ The Company Men:Kevin Costner e Ben Affleck no drama independente sobre grandes corporações (13/01)

Kevin Costner volta às telas como Jack Dolan no drama independente sobre grandes corporações em The Company Men. Escrito e dirigido por John Wells, a produçăo mostra um ano na vida de três homens tentando sobreviver a um processo de “reduçăo corporativa” numa grande companhia, como isso os afeta e as consequências sobre suas famílias e comunidades.No filme, além de Costner estăo no elenco os astros Ben Affleck, Tommy Lee Jones, Maria Bello, Craig T. Nelson, Chris Cooper e Rosemarie DeWitt. Ainda sem data de estreia no Brasil.




************************************************************************************************************************************************************************************ Harrison Ford e Brendan Fraser no trailer do drama Medidas Extraordinárias(Extraordinary Measures) 16/11

********************************************************************************************************************************************************************** O drama sul-coreano “Voluntária sexual”, de Kyeong-duk Cho, levou o grande prêmio do júri desta 33ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que terminou na noite de quinta-feira (5). Polêmico, o filme fala sobre mulheres que se voluntariam a ter relações sexuais com deficientes físicos na Coréia do Sul.(06/11)

Pode-se dizer que "Voluntária sexual" é “um filme dentro de um filme”. Na trama, uma jovem quer fazer um documentário sobre o “sexo voluntário”, baseado em suas próprias experiências em um quarto de hotel. Presente na cerimônia de encerramento - que foi comandada sob chuva pelos apresentadores Serginho Groisman e Marina Person - o diretor agradeceu ao júri por ser “livre de preconceitos”. "Sei que tanto o nome quanto o tema de meu filme são polêmicos, mas agradeço ao júri por não encarar isso como um problema. Vocês foram livres de preconceitos”, ressaltou Cho. O cineasta também fez alusão a garoa que caía na noite da premiação e que fez o público presente na Cinemateca, na Vila Clementino, assistir à cerimônia vestindo capas de chuva improvisadas pela organização da Mostra. “Desde pequeno considero os dias de chuva como meus dias de sorte. Eu sempre ia bem nas provas quando chovia. Agora ficou difícil acreditar que seja apenas uma coincidência”, brincou. *************************************************************************************************************************************************** Natalie Portman (’Closer – Perto Demais’) volta a fazer parte de um triângulo amoroso no cinema (como no cultuado ‘Closer – Perto Demais’).01/09

O drama estrelado por Jake Gyllenhaal (Zodíaco), Tobey Maguire (Homem-Aranha 3) e Natalie Portman (A Outra) é uma refilmagem do filme homônimo dinamrquês, dirigido por Susanne Bier em 2004. A trama conta a história de dois irmãos: Michael (Maguire) é um militar bem-sucedido em sua carreira no Exército. Quando ele é enviado a uma missão no Afeganistão, pede para Jannik (Gyllenhaal), seu irresponsável irmão mais novo cuide de sua família, incluindo a esposa, Sarah (Natalie). O desparecimento do marido e o estreitamento das relações entre o irmão mais novo e a esposa vira um complicado triângulo amoroso.

Dirigido por Jim Sheridan (Em Nome do Pai) e com roteiro adaptado por David Benioff (X-Men Origens: Wolverine), Brothers estreará em 4 de dezembro nos Estados Unidos, segundo o site Worstpreviews com esperança de conseguir uma nomeação ao Oscar 2009. No Brasil, não há previsão de estreia.
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**************************************************************************************************************************************************** A Teta Assustada 22/08 (Drama - 14 ANOS)

A história de Fausta, que tem uma doença chamada “teta assustada”, que se transmite pelo leite materno de mulheres violadas durante a guerra terrorista do Peru. Vencedor do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. (La teta asustada) Peru/Espanha, 2009. Direção: Claudia Llosa. Elenco: Magaly Solier, Susi Sánchez, Efraín Solís. Duração: 95 min.
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10 maio 2012 a 30 maio 2012 – Joh Mabe Espaço de Arte & Cultura
Yoshitaka Amano, 59, veio, viu e gostou. Em passagem pelo Brasil, entre março e abril, um dos bambambãs das artes plásticas japonesas produziu quatro aquarelas inéditas que serão expostas no Joh Mabe…
Organizado por Joh Mabe Espaço de Arte & Cultura | Tipo: exposição, -, grátis


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