Drama I White Bird in a Blizzard | Veja o trailer completo do filme estrelado por Shailene Woodley (21/08/14)

White Bird in a Blizzard, drama indie com Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas) e Shiloh Fernandez (A Morte do Demônio), ganhou um trailer completo. Veja no vídeo abaixo:

No longa, dirigido por Gregg Araki (Mistérios da Carne, Kaboom), Woodley é Kat Connors, uma adolescente de 17 anos que tem uma relação delicada com sua    mãe (Eva Green), uma mulher linda e enigmática, que desaparece repentinamente. A mudança traz alguma liberdade para Kat no começo, mas ela acaba confrontada com a realidade, quando passa a compreender o impacto do desaparecimento em sua vida.

O elenco ainda conta com Christopher Meloni (O Homem de Aço), Gabourey Sidibe (Preciosa), Thomas Jane e Angela Basset.

White Bird in a Blizzard  estreia nos cinemas americanos em 24 de outubro.    Serviços on demand recebem o longa em 25 de setembro. [André Zuliani]

**

Drama  I Segunda parte de 'Ninfomaníaca' cai numa psicanálise barata   (12/03/14)

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

Foram 250 mil espectadores. O número nem parece tão grande, mas Ninfomaníaca – Volume I é o maior sucesso de público de Lars Von Trier nos cinemas brasileiros. O cineasta que criou o movimento dos monges cineastas da Dinamarca virou um ícone do cinema de autor, referendado pelo Festival de Cannes – até com direito à Palma de Ouro, por Dançando no Escuro –, antes de virar persona non grata na Croisette, por declarações consideradas antissemitas, durante a coletiva de Melancolia. Se há um diretor que sabe se promover, no cinema contemporâneo, é Lars. Isso não diminui seus méritos, mas deveria servir como reflexão para os puristas que veem no mercado o inimigo do cinema autoral.

Ninfomaníaca – Volume II estreia em mais salas, sinal de que a distribuidora Califórnia aposta na repetição e até superação da marca do primeiro filme.

Mesmo que os dois filmes formem um díptico, na verdade são a continuidade de um só projeto. Lars acompanha a trajetória de Joe. Na abertura do Volume I, ela é encontrada por Stellan Skarsgard no solo de um beco, e toda rebentada. Na casa do homem que a acolheu, Joe conta sua história. Define-se como ninfomaníaca. Duas atrizes se revezam no papel – Stacy Martin, que faz Joe quando jovem, e Charlotte Gainsbourg, na idade adulta.

Para o espectador interessado em saber se o II é tão bom quanto o I, vamos logo esclarecendo – não. O primeiro é mais intenso e se beneficia do estranhamento de todas aquelas cenas de sexo. Recapitulando: o I termina com a música de Bach, na cena em que Joe libera sua angústia num grito de desespero. Por mais sexo que faça, ela não relaxa e não tem orgasmo. No II, disposta a recuperar o domínio do corpo, ela se submete a experiências radicais. Violência e dor. Duas cenas são muito boas.

Joe contrata o serviço de um tradutor e chama dois africanos para fazer sexo com ela. A Skarsgard, ela diz – provocação do diretor? – que todas as mulheres sonham em fazer sexo com afrodescendentes porque há uma mitologia sobre o tamanho da genitália desses homens. Lars mostra que não é boato, mas o impacto da cena vem do fato de que os dois falam num dialeto que Joe não entende. Discutem o que vão fazer, como fazer, e a rodopiam como mercadoria, tocando as partes íntimas. A outra cena é de outra natureza e exige certa explicação.

Joe, ainda como Stacy Martin, volta a viver com Shia Labeouf, mas ele não consegue satisfazê-la e aceita que ela corra atrás de amantes ocasionais, mas é claro que isso mina a relação. Joe tem um filho, mas não o instinto materno. Descuida da criança e, numa cena, Lars repete o plano de Anticristo – a morte do filho. Pelo menos é o que o espectador familiarizado com seu cinema vai pensar, mas o desdobramento é outro. Agora como Charlotte, e após a cena com os africanos, Joe vira outra pessoa. Durona, cai na marginalidade. Exerce pressão sobre devedores para cobrar vítimas. Um desses infelizes protagoniza com ela a cena mais bela e forte de Ninfomaníaca II. Ela leva o cara ao limite até arrancar dele a confissão de pedofilia. Condena-o a uma solidão tão terrível e até mais que a dela própria.

Em Berlim, onde o próprio Lars foi mostrar a versão estendida de Volume I – mas não deu entrevista –, o assunto virou o sexo. Todo mundo queria saber do elenco como foi fazer tudo aquilo. Interrogado, Shia disse algo como: "Quando as gaivotas seguem a traineira é porque esperam que sardinhas sejam lançadas ao mar". Disse e, intempestivamente, deixou a sala. Como ninguém tinha visto Volume II, os jornalistas deixaram de usar essa frase de Joe/Charlotte para Skarsgard. O filme continua com o diálogo dos dois, ela se abrindo, ele tateando e intelectualizando as experiências que ela lhe conta. Skarsgard passa o tempo criando metáforas. Numa cena, Joe ironiza – diz que achou a metáfora fraca. A de Shia foi fraca, mas teve seu efeito no contexto do festival.

Joe faz uma descoberta sobre Skarsgard, que é melhor não dizer qual é, mas muda a essência e a natureza dos dois. Há quem veja nele uma metáfora do próprio Lars à crítica. Vejam o filme, descubram o segredo e avaliem por esse prisma. O problema é que, ao contrário do primeiro filme, o desfecho, aqui, é insatisfatório. Lars cai numa psicanálise barata, identificando arma com potência. Joe vai num grupo de ajuda, mas recua porque gosta de ser como é, e a sociedade que se dane. É o aspecto mais curioso – polêmico – do filme. Se Joe, nome ambíguo, fosse homem, e não mulher, haveria estranhamento nessa elefantíase do sexo? Uma coisa é certa – como Uma Thurman rouba a cena em Volume I, Jean-Marc Barr, como o pedófilo, reina em Volume II.

**

Drama  I "Ninfomaníaca - Parte 2": veja o trailer   (31/01/14)

O trailer internacional de "Ninfomaníaca - Parte 2" foi divulgado na internet. O longa de Lars Von Trier foi dividido em duas partes: a primeira chegou aos cinemas brasileiros em janeiro, a segunda estreia em março.

No vídeo é possível ver Willem Dafoe e Jamie Bell, que não apareceram na primeira parte de "Ninfomaníaca". O novo trailer é mais comportado que outros já lançados, mas mostra a atriz Charlotte Gainsbourg sendo amarrada.

Gainsbourg interpreta Joe, uma autodiagnosticada viciada em sexo que conta sua trajetória a um estranho. No elenco também estão Uma Thurman, Shia LaBeouf e Stacy Martin, entre outros.

As duas partes compõem uma versão censurada do filme. Outra, sem cortes e com 5h30 de duração, será exibida no Festival de Berlim, em fevereiro. A distribuidora Califórnia Filmes tem a intenção de distribuir também esta versão nos cinemas brasileiros.

Imagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesImagens do filme 'Ninfomaníaca'. Foto: Christian GeisnaesCena do filme 'Ninfomaníaca', com Shia LeBeouf e Stacy Martin. Foto: DivulgaçãoUma Thurman em cena de 'Ninfomaníaca'. Foto: Divulgação
 
comentários
voltar ››

Comentários

ver mais antigos
5

Social

recomendadas para você
voltar ››

Recomendadas

notícias relacionadas
voltar ››
  •                    

**

Drama  I Com "Ninfomaníaca", diretor Lars von Trier tem seu maior lançamento no Brasil  (10/01/14)

O polêmico "Ninfomaníaca", que estreia nesta sexta-feira (10) em 40 salas de 16 cidades, é o maior lançamento do diretor Lars von Trier no Brasil. Resta saber se o filme sobre uma viciada em sexo, que foi alvo de uma campanha de marketing sem precedentes para o cineasta, vai conseguir ampliar o público do dinamarquês no País.

Dados do site especializado Filme B indicam que o diretor ainda segue restrito ao circuito de arte brasileiro. Seus dois maiores sucessos de público, "Dogville" (187 mil espectadores) e "Melancolia" (134,8 mil), são estrelados por atrizes famosas - Nicole Kidman e Kirsten Dunst, respectivamente.

Outros filmes de Von Trier - "Manderlay", "O Grande Chefe" e "O Anticristo" - ficaram longe da marca de 100 mil espectadores (veja tabela abaixo).

Para o crítico de cinema Pedro Butcher, editor do Filme B, Von Trier não tem o mesmo alcance de diretores como o espanhol Pedro Almodóvar e o norte-americano Woody Allen, cujos longas são lançados também em cinemas de shopping e chegam a ultrapassar 300 mil espectadores ("Meia-Noite em Paris", de Allen, bateu a marca de 1 milhão).

"Talvez ele (Von Trier) dê uma impressão diferente (a de que alcança grande público) porque seus filmes são sempre cercados de muita polêmica - de 'Dogville a 'Melancolia', passando por 'Anticristo', o mais polêmico de todos", afirmou Butcher, em entrevista ao iG.

Pelo mundo

Dinamarca, Alemanha, Itália e Noruega são países nos quais os filmes de Von Trier costumam estrear em grande número de salas. 

Entre os maiores sucessos globais de bilheteria do diretor estão "Dogville", que arrecadou US$ 16,6 milhões (R$ 39,8 milhões) mundialmente, e "Melancolia", que levantou 15,9 milhões (R$ 38,2 milhões).

De todos os filmes lançados desde "Dogville", apenas "Anticristo" teve maior bilheteria nos EUA do que no resto do mundo. O longa estrelado por Charlotte Gainsbourg faturou no mercado norte-americano US$ 404 mil (R$ 970,6 mil) da renda total de US$ 792 mil (R$ 1,9 milhão).

O alcance dos filmes de Lars von Trier no Brasil

**

Drama  I  "Pais e Filhos" explora com delicadeza drama da troca de bebês    (27/12/13)

Ganhador do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2013, o drama intimista japonês "Pais e filhos", de Hirokazu Kore-eda, vai ao olho do furacão com suas habituais sensibilidade e precisão retratando uma troca de crianças que sacode duas famílias.

O cineasta de 51 anos, que despontou na carreira obcecado pelo tema da morte - explorando-a em várias facetas, desde "Maborosi - A Luz da Ilusão" (1995) -, ultimamente voltou seu foco para as crianças. E elas brilham no seu filme, naturais como na vida.

Kore-eda explora as camadas de uma situação insuportável - a descoberta, por dois casais, de que seus filhos de 6 anos foram trocados na maternidade. Com esse ponto de partida de melodrama, ou de novela, o cineasta japonês desvia-se da pieguice e emociona com sutileza, indo ao centro da questão, acompanhando as reações das duas famílias, tentando lidar com o dilema.

O protagonista é o executivo Ryota (Masaharu Fukuyama), um homem obcecado pelo trabalho e pouco tempo para olhar para a família, mesmo para o filho único, Keita (Keita Nonomya). É esse homem viciado no controle dos mínimos detalhes quem simboliza, mais do que os outros personagens, uma progressiva imersão na incerteza, nas emoções que, finalmente, vêm à tona para ele também.

A família que criou o outro menino é completamente diversa - formada por um comerciante menos rico e mais simples, Yudai (Lily Franky), que tem uma noção diferente do tempo, do dinheiro, outros valores. E é disso também que o filme quer falar, sem tornar-se banal, nem pregar uma moral humanista ou bom-mocista de almanaque. E a maneira de confrontar estas diferentes visões de mundo é através do convívio entre as duas famílias, preparando-se para a troca das crianças.

Se o filme se esgotasse nas naturais angústias desta troca, se tornaria um drama lacrimoso. Habilmente, o diretor explora outras nuances da situação, deixando vir à tona o humor, a ternura e a sempre inesgotável sabedoria infantil para adaptar-se. Em seu registro intimista, que vem aperfeiçoando desde "Ninguém Sabe" (2004), Kore-eda revela-se profundo e também plural. Reuters

**

Drama  I  Assista ao trailer de Draft Day,  filme com Jennifer Garner e Kevin Costner     (26/12/13)

Saiu o primeiro trailer de Draft Day, drama sobre o presidente de um time de futebol americano (Kevin Costner) que, enquanto tenta salvar a equipe em pleno campeonato nacional, se deixa envolver por uma bela mulher interpretada por Jennifer Garner.

O filme ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Nos EUA, deve estrear em 11 de abril de 2014. O diretor é Ivan Reitman,  o mesmo da saga Os Caça-Fantasmas.
Confira o trailer em inglês:

**

Drama  I  Novo vídeo de "Ninfomaníaca" tem cena de sexo com Shia LaBeouf; assista   (01/11/13)

O diretor Lars Von Trier divulgou um novo vídeo de seu próximo filme, "Ninfomaníaca" , nesta sexta-feira. Entre os vários trechos mostrados até agora, este é o mais forte, com cenas de sexo e nudez.

Por causa disso, o vídeo foi retirado do YouTube. Entre as imagens, mostradas em uma tela dividida em três partes, o ator Shia LaBeouf e a atriz Stacy Martin aparecem fazendo sexo.

Veja o vídeo de "Ninfomaníaca" (atenção: contém sexo e nudez):

"Ninfomaníaca" será dividido em duas partes e terá um total de cinco horas de duração, informou o produtor Peter Aalbæk Jensen ao site norueguês Montages. Cada seção do longa, que conta a história de uma autodiagnosticada viciada em sexo (Charlotte Gainsbourg), terá cerca de 2h30.

O filme terá pré-estreia de gala em Copenhague no final do ano, e chega aos cinemas dinamarqueses e noruegueses no dia de Natal. No Brasil, deve estrear em 2014.

A produtora Louise Vesth afirmou que dublês de corpo foram usados nas cenas mais picantes. "Nós filmamos os atores fingindo fazer sexo e, então, entraram os dublês que realmente fizeram sexo. Na pós-produção iremos sobrepor digitalmente as duas gravações", contou, em entrevista ao Hollywood Reporter.

**

Drama  I  Com história de amor entre mulheres, 'Flores Raras' ensina a arte de perder   (17/08/13)

Décadas de 50 e 60, Rio de Janeiro, duas mulheres e uma história que virou o amor de uma vida inteira. Mais do que isso. Uma história que transcendeu o tema raso da homossexualidade e segue ensinando sobre a arte de perder. Em Flores Raras, novo projeto do cineasta Bruno Barreto, a perda é o principal tema. E engana-se quem pensa que o filme é arrastado e confuso, como o assunto pode parecer em primeira instância.

A obra, baseada no livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem L. de Oliveira, tem um quê de As Horas (2001), longa de Stephen Daldry, que conta a história da escritora Virgina Woolf, só que com uma emoção digna de Entre Dois Amores (1985), obra de Sydney Pollack, estrelado pelos brilhantes Robert Redford e Meryl Streep. "Não queria fazer um filme sobre uma artista torturada. Queria uma história de amor que você se emocionasse", contou Bruno Barreto, em entrevista. Pois bem, ele conseguiu.

É impossível não se sentir tocado com a história de amor entre Elizabeth Bishop, poeta norte-americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956, e Lota de Macedo Soares, "arquiteta" brasileira que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro. Desde o princípio do filme, Barreto tem uma preocupação muito legítima em introduzir o tema da perda sutilmente, mostrando uma Bishop bastante confusa e cansada, tentando trabalhar em um poema que viria a se chamar Uma Arte. Ela decide viajar, mudar de ares, como se buscasse conseguir "bagagem" para conseguir terminar aqueles versos incompletos, que tratam de um tema que ela conhece tão bem.

Para os que não sabem, Elizabeth Bishop perdeu o pai ainda na infância, sua mãe morreu após ser internada em uma clínica psiquiátrica. Não tinha irmãos. Era sozinha. Miranda Otto, atriz australiana conhecida por seu papel em O Senhor dos Anéis, apresenta uma poetisa muito real, torturada, alcóolatra e confusa, sim, mas não dentro de um clichê costumeiro. Apesar de toda a carga emocional que Otto consegue passar, a identificação do público, em um primeiro momento, não é com ela. 

Assim que chega ao País, Bishop se mostra arredia e até um pouco mal-educada, não sabe lidar com os brasileiros, fala pouco e se mostra mais amorosa aos gatos do que aos humanos. No início, a Lota de Macedo Soares de Glória Pires rouba a cena e em inglês - para a surpresa de muitos, já que 95% do filme é falado no idioma. Lota é divertida e até então apaixonada por Mary, vivida por Tracy Middendorf. Glória apresenta uma arquiteta com trejeitos bastante masculinos e que definitivamente não sabe perder nunca.

Apesar da simpatia instantânea por Lota, o filme tem uma grande virada, assim que as duas começam de fato a se relacionar. Elizabeth Bishop se torna mais humana, cria poemas belíssimos, ganha o Prêmio Pulitzer. Lota se torna mais arredia, brava e aquela simpatia inicial começa a esmaecer. Se entrega à construção do Parque do Flamengo e deixa sua musa inspiradora para lá. A poeta por sua vez renasce, mas se entrega à bebida, o que dá origem a diálogos riquíssimos. Aliás, as brigas entre as duas, são recheadas de boas frases, como: "sou comprometida com pessimismo. Assim, jamais me decepciono".

Provavelmente, Lota perde totalmente a empatia inicial em meio a uma discussão em frente a uma das igrejas de Ouro Preto (MG), quando Bishop declara que está voltando para Nova York. Ela chama a companheira de bêbada e solta a célebre frase: "como você se atreve? Depois de tudo o que eu fiz por você!". Ali, percebemos que, desde o início, Bishop era o lado forte, enquanto Lota se desesperava diante da perda. A inversão de papeis faz pensar e se mostra muito apropriada.

Além de atuações primorosas e um elenco integrado e afinado, Flores Raras chama a atenção pela tecnologia empregada para reconstruir com maestria o Rio de Janeiro do anos 50 e 60. As paisagens são perfeitas. A trilha sonora do filme passa quase desapercebida, diante de tantos acontecimentos, o que causa absoluta estranheza, por se tratar de um período muito rico na música brasileira: a explosão da Bossa Nova.

Enquanto a música fica um pouco para lá, a política é parte importantíssima do longa. Como Lota de Macedo era muito amiga de Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara, Barreto faz questão de mostrar a opinião dela sobre o Golpe Militar. Lota não era apenas a favor, comemorou ao lado de Lacerda e ainda levou Bishop, que atônita, faz um discurso criticando o povo brasileiro, que enquanto "governantes tiram a sua liberdade, jogam futebol na praia", sem qualquer preocupação com o futuro. 

Flores Raras é um filme que apesar de dramático e cheio de tristezas, não traz um sentimento amargurado e doloroso. Tudo é muito sutil, mas sem tirar o peso que um tema como a perda tem. Talvez, porque Barreto tenha compreendido bem o poema de Elizabeth Bishop que diz:  "A arte de perder não é nenhum mistério; tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério".

**

Drama  I  Veja Shia LeBeouf em imagem erótica de "Ninfomaníaca", filme de Lars Von Trier    (26/07/13)

A primeira imagem sensual do ator Shia LaBeouf em "Ninfomaníaca" , polêmico novo filme do diretor Lars Von Trier, foi divulgada nesta quinta-feira (25). Além da foto, também foi lançado o segundo vídeo do longa, que mostra o ator em cena.

O longa acompanha a história de Joe (Charlotte Gainsbourg), uma autodiagnosticada viciada em sexo. No vídeo divulgado nesta sexta-feira (26), Stacy Martin interpreta a versão mais jovem da personagem, que conhece Jerôme (Shia LaBeouf).
A cena pertence ao segundo capítulo do filme, que leve o nome do personagem de LaBeouf. Uma breve descrição do segundo capítulo também foi divulgada:

"'Amor é apenas luxúria com adição de ciúme'. Apesar do amor ser um sentimento superficial aos olhos de um cínica ninfomaníaca, a jovem Joe encontra forças que estão penetrando suas defesas blindadas. Seu nome é Jerôme".
"Ninfomaníaca" terá pré-estreia de gala em Copenhague no final do ano, e chega aos cinemas dinamarqueses no dia de Natal . A produtora Louise Vesth afirmou que dublês de corpo foram usados nas cenas mais picantes.
"Nós filmamos os atores fingindo fazer sexo e, então, entraram os dublês que realmente fizeram sexo. Na pós-produção iremos sobrepor digitalmente as duas gravações", contou, em entrevista à revista The Hollywood Reporter.

**

Drama  I  Atropelamento de imigrante ilegal na França é ponto de partida de "3 Mundos"    (30/05/13)

Escrito e dirigido por Catherine Corsini ("Partir"), "3 Mundos" é cinema francês tipo exportação -leia-se "não muito diferente de Hollywood, apenas o suficiente para soar exótico, mas sem exigir demais".

Protagonizado por Raphaël Personnaz ("Anna Karenina"), Clotilde Hesme ("Amantes Constantes") e Arta Dobroshi ("O Silêncio de Lorna"), o longa não se preocupa muito com o desenvolvimento dos personagens e também não dá muita atenção à trama, criando momentos previsíveis e outros sem muito senso.

O ponto de partida é um atropelamento, quando Al (Personnaz) causa o acidente com seu carro e não socorre a vítima. Assustado, foge. Mas da sacada de seu prédio, Juliette (Clotilde) vê tudo, chama a ambulância e a polícia, mas não consegue anotar a placa do carro. A vítima, Adrian (Rasha Bukvic), é um imigrante ilegal da Moldávia e as coisas se complicam devido a sua situação.

Juliette, cujo relacionamento com o professor universitário Frédéric (Laurent Capelluto) está em crise, se sensibiliza com a situação e se torna amiga de Vera (Arta), mulher de Adrian que além de também ser imigrante ilegal, cuida do marido em coma.

Já Al é um rapaz pobre que subiu na vida a custa de muito esforço e, agora, está às vésperas de se casar com a filha do patrão, Marion (Adèle Haenel).

Enquanto Vera e Juliette enfrentam questões burocráticas, a situação se complica pela falta de dinheiro e pela negativa do governo em ajudar um imigrante ilegal. Al é consumido pela culpa e quando vê uma notícia no jornal decide visitar Adrian no hospital. É um dos momentos mais estranhos do filme, quando ele pede ao rapaz em coma que sobreviva.

Os três mundos a que se refere o título são, obviamente, o de Al, o de Juliette e o de Vera - que colidem por conta do acaso. Corsini articula as semelhanças e diferenças de forma a aproximar e afastar os personagens, mas o fato deles serem completamente decifráveis logo de cara não ajuda muito. Assim como o envolvimento amoroso que surge entre Al e Juliette.

"3 Mundos" é um filme que parece ser feito com toda a boa vontade do mundo, mas na articulação desses elementos a diretora não conseguiu ir além das intenções.  Reuters 

**

Drama  I  Vencedor de Oscar, “Anna Karenina” estreia nos cinemas    (15/03/13)

Este filme, que estreia nesta sexta-feira nos cinemas, conta a história da personagem Anna Karenina (Keira Knightley), casada com o rico funcionário do governo Alexei Karenin (Jude Law), na Rússia do século XIX. Sua relação com ele ficará abalada após conhecer o conde Vronsky (Aaron Johnson), durante uma viagem para consolar sua cunhada, traída pelo marido. Diante dos cortejos do conde, ela tenta resistir, mas acaba cedendo à tentação. Essa história de amor não será fácil, pois o marido de Anna Karenina não aceita o divórcio pedido pela esposa e não quer que ela tenha contato com seus filhos. O longa-metragem recebeu o Oscar de melhor figurino em 2013.

“Anna Karenina” (“Anna Karenina”) Direção: Joe Wright Duração: 129 minutos Gênero: Drama Elenco: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Kelly Macdonald Links: Site oficial, IMDB e Rotten Tomatoes

**

Drama  I  The Nymphomaniac | Filme erótico de Lars von Trier garante distribuição   (12/02/13)

The Nymphomaniac, o filme erótico de Lars von Trier, garantiu sua distribuição em diversas partes do mundo. A Magnolia Pictures vai distribuir o filme nos EUA e a California Filmes cuida da exibição do longa no Brasil.

Atriz francesa Charlotte Gainsbourg e o cineasta Lars von Trier

Apesar do status de persona non grata no Festival de Cannes, Lars von Trier queria finalizar o longa até 14 de março, em tempo de inscrevê-lo no festival. "Quatro editores estavam trabalhando dia e noite para cumprir o prazo de Cannes, mas tivemos que desistir - depois de 268 páginas de roteiro, 11 semanas de filmagem e 100 horas de material seria um estupro finalizar os dois filmes a tempo do festival", explicou o produtor Peter Aalbæk Jensen.

The Nymphomaniac foi concebido em oito capítulos sobre a jornada erótica de uma mulher (e será divido em dois longas), do seu nascimento aos 50 anos, a auto-diagnosticada ninfomaníaca Joe - que Charlotte Gainsbourg interpreta adulta e a modelo Stacy Martin faz na juventude. Na trama, em uma noite fria de inverno, o velho solteirão Seligman (Stellan Skarsgard) encontra Joe semiconsciente e machucada em um beco. Depois de levá-la ao seu apartamento, ele cura os machucados dela enquanto escuta à luxuriante história da vida de Joe.

Confira a nova imagem do longa, com Charlotte Gainsbourg envolvida em um Ménage à trois:

Uma Thurman, Christian Slater, Jamie Bell, Connie Nielsen, Shia LaBeouf, Nicolas Bro, Jesper Christensen, Jens Albinus, Shanti Roney, Severin von Hoensbroech, Willem Dafoe, Udo Kier, Jean-Marc Barr, Caroline Goodall, Kate Ashfield, Saskia Reeves e Omar Shargawi também estão no elenco, entre outros.

Ao contrário do que declarou Shia LaBeouf, os atores não devem participar das cenas de sexo de verdade. Segundo os produtores, serão usados dublês de corpo e efeitos especiais para simular as cenas mais pesadas. O diretor dinamarquês considera fazer uma versão hardcore - com sexo explícito, para circular festivais - e outra para o lançamento comercial, mais leve, com os genitais embaçados digitalmente.

As filmagens de The Nymphomaniac aconteceram na Alemanha e o filme deve fazer sua estreia em maio, na Dinamarca e na Suécia. Ainda não há data definida para a exibição do longa nos EUA e no Brasil.  Natália Bridi

**

Drama  I Argo, de Ben Affleck,  conquista prêmio de produtores dos Estados Unidos    (27/01/13)

O drama Argo, de Ben Affleck, que aborda a crise dos reféns no Irã de 1979, ganhou no sábado (26) o principal prêmio do Sindicato de Produtores dos Estados Unidos (PGA), o que significa um impulso diante da aproximação do Oscar. O PGA concedeu seu prêmio Darryl F. Zanuck a Affleck, que dirige e protagoniza o filme, com seus co-produtores George Clooney e Grant Heslov.

Os prêmios PGA são considerados um indicador chave do Oscar, e, de fato, seus integrantes são muitas vezes membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Nove dos 12 últimos ganhadores do PGA conquistaram posteriormente o Oscar de Melhor Filme.

Argo surpreendeu ao levar neste mês os Globos de Ouro de Melhor Filme e Melhor Diretor, e foi indicado em sete categorias ao Oscar, premiação que irá ocorrer no dia 24 de fevereiro.

O filme competia no PGA com Lincoln, de Steven Spielberg, que tem 12 indicações ao Oscar, As Aventuras de Pi, de Ang Lee, com 11 indicações, e com o musical Os Miseráveis, com oito.

Também estavam na disputa 007 - Operação Skyfall, de Sam Mendes, A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow, e Django Livre, de Quentin Tarantino, entre outras produções.

**

Drama  I Na Terra do Amor e do Ódio I Angelina Jolie estreia na direção de filme sobre guerra na Bósnia   (07/12/12)

"Na Terra do Amor e do Ódio" fica aquém das intenções como ativista política da estrela

Angelina Jolie é uma artista militante, sempre engajada em causas humanitárias. Ela leva a sério seu papel como embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e dispende tempo e parte de sua fortuna defendendo os mais fracos.

Por isso é elogiável seu esforço para denunciar as atrocidades cometidas durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), na antiga Iugoslávia, no filme que marca sua estreia na direção de ficções, "Na Terra do Amor e do Ódio". Em 2007, a atriz dirigiu o documentário "A Place in Time".

Mas, apesar de toda sua boa vontade, a obra de arte fica aquém de suas intenções como ativista política. Mesmo nos Estados Unidos, o filme foi um fracasso de bilheteria, arrecadando pouco mais de US$ 300 mil (R$ 631 mil).

Excessivamente longo, o melodrama se perde em um roteiro fraco e ingênuo e não consegue atrair a empatia do espectador para o casal de protagonistas: Ajla (Zana Marjanovic) e Danijel (Goran Kostic). Ela, uma artista plástica, e ele, oficial do Exército sérvio. Ela, muçulmana; ele, cristão.

Ambos vivem na mesma cidade na Bósnia e, apesar de serem de religiões diferentes, dançam animadamente numa discoteca.

Após 1992, os vários povos que conviviam pacificamente na região se degladiaram numa sanguinária guerra civil, depois do esfacelamento do comunismo, que deixou quase 100 mil mortos, sendo mais de 80% civis bósnios. Homens, mulheres e crianças foram massacrados num programa de limpeza étnica.

O início das animosidades é simbolizado por um atentado contra a discoteca em que Ajla e Danijel se divertem. A vida não será mais a mesma.

O casal volta a se reencontrar pouco tempo depois, quando os sérvios passam a controlar a região e obrigam os muçulmanos a abandonar suas casas. Uma parte das mulheres é levada para campos de prisioneiros, onde são sistematicamente estupradas; os homens são fuzilados nas ruas.

Danijel é filho de um comandante militar e lidera a tropa. No campo, reencontra Ajla e a mantém como protegida. A relação entre os dois é dúbia, principalmente por parte da artista, que é poupada de atrocidades maiores, mas não ignora o sofrimento de seu povo. O pai do militar não aprova a atitude do filho e vai interferir duramente.

O filme mostra as atrocidades cometidas pelos sérvios, motivo de protestos da comunidade internacional, criando um paralelo com o holocausto contra os judeus na Segunda Guerra Mundial.

Existe uma reação interna, mas ela não é forte o suficiente para mudar o rumo do conflito. Falta um papel mais enérgico dos Estados Unidos e dos países da Europa. O pai de Danijel acredita que falta pouco para suas tropas ocuparem todo o território. Mas os rebeldes podem se valer da prisão de Ajla para obter algum benefício.  Reuters

**

Drama  I Winnie | Veja Jennifer Hudson no trailer do filme como ativista e mulher de Nelson Mandela   (23/09/12)

Depois de um trailer estendido, agora Winnie, filme estrelado por Jennifer    Hudson (Dreamgirls - Em Busca de um Sonho) que conta a história de Winnie Mandela, ganha o seu primeiro trailer de cinema, com dois minutos:

O filme com direção do sul-africano Darrell J. Roodt relembra a história da controversa ativista, que lutou contra o apartheid ao lado de seu marido, o então futuro presidente sul-africano Nelson Mandela (Terrence Howard).

O roteiro foi escrito por Roodt, Andre PietersePaul L. Johnson, com base no livro biográfico Winnie Mandela: A Life, escrito por Anne Marie du Preez Bezdrob. A coprodução entre EUA e África do Sul ainda circula festivais e não tem data de estreia definida.

**

Drama  I Cosmópolis   (07/09/12)

“Vamos falar sobre coisas e pessoas”, diz Packer ao seu possível assassino. Se essa fosse a premissa de Cosmópolis, novo filme do diretor canadense David Cronenberg, talvez seus mais de 100 minutos chegassem com mais facilidade ao espectador. Mas, não é; logo, a facilidade não vem. Contudo, é a essa missão que os personagens, saídos do romance homônimo de Don DeLillo, se lançam: falar sobre coisas e, esporadicamente, pessoas.

O romance de DeLillo, de 2003, se apoia em algumas previsões feitas por Karl Marx no Manifesto do Partido Comunista, de 1884, para torná-las palpáveis numa sociedade lavada pelos avanços tecnológicos e onde o capitalismo já chegou aos extremos mais absurdos. Se George Orwell cria um panorama assustador em seu 1984, a realidade projetada por DeLillo e recriada por Cronenberg é ainda mais aterrorizante. Se lá, a ameaça vem de um sistema de opressão e controle ditado por um Big Brother dono da verdade absoluta, aqui, ela tem outros contornos; uma vez lidando com interesses pessoais, o inimigo está ao lado e não no alto da pirâmide, e as relações humanas esbarram no instinto animalesco – para fazer outra citação orwelliana.

Na tela, um dia decisivo na vida de Eric Packer (Robert Pattinson), o menino de ouro das especulações monetárias que fez fortuna analisando projeções do mercado financeiro e administrando-as com especial aptidão. Agora, aos 28 anos, Packer esbanja uma estabilidade desconcertante numa Nova Iorque assolada pelo caos e mastigada pelo capitalismo.

O jovem empresário decide cortar o cabelo. Apesar de poder resolver a questão sem precisar de nada mais do que um telefonema, decide atravessar os dez quarteirões que separam seu apartamento da barbearia, em Manhattan, a bordo de sua luxuosa limusine, acompanhando do chefe de sua segurança, Torval (Kevin Durand), e do seu motorista, Imbrahim (Abdul Ayoola). Essa escolha terá implicações das mais sérias na vida de Packer.

Devido a uma visita do presidente dos Estados Unidos e da morte de um famoso rapper, o trânsito da cidade está caótico. Não bastasse, ainda por conta da visita do presidente, um grupo de anarquistas toma as ruas em protestos agressivos – em cenas que remontam do recente “Ocupe Wall Street”. Por tudo isso, o protagonista gasta um dia inteiro para fazer o percurso pretendido.

Tendo a limusine como cenário principal, os dois terços iniciais do filme são marcados por longos diálogos que quase sempre adentram a esfera das divagações filosóficas. Nesse ambiente, por causa de uma manobra mal projetada, vemos ruir o império do jovem bilionário e a ideia dessa tal “cidade em harmonia” (pólis + kósmos) prometida pelo título.

Com poucos espaço e possibilidades, os recursos usados por Cronenberg, nesses longos dois terços, são repetitivos e até previsíveis. A atenção, então, vota-se para o texto que, em diversos momentos, escapa para a pseudofilosofia e para digressões que não dizem respeito aos personagens em questão, nem ao próprio filme. O que há de interessante é o clima que se vai instaurando no decorrer do trajeto (que pouco afeta o personagem central, mas, que perturbam, em certa medida, o espectador). A rápida participação de Mathieu Amalric, por exemplo, dá o tom da inconformidade que motiva os protestos contra, sobretudo, a classe abastada dominadora.

Fôlego

Entramos, então, no terço final do filme, este sim, bastante interessante, com interpretações mais densas e com imagens muito bonitas. O empresário, à beira da falência, chega ao seu destino, e, para o personagem nada parece interessar mais do que se lançar ao desconhecido e à falta das projeções que arrimaram toda sua trajetória. Da sua relação com o barbeiro, vivido de forma peremptória pelo experiente George Touliatos, faz-se enxergar o desejo pela humanidade do excêntrico e quase frio Eric Packer. Vem aí, a última sequência e a última cena do filme: um denso e provocador embate entre Packer e Benno Levi, um antigo funcionário de Eric que por não conseguir acompanhar os avanços que o jovem incorporou ao mercado financeiro, foi relegado à mais profunda miséria, fazendo do desejo de matar o ex-patrão o mote de sua desnecessária vida.

O ex-funcionário ganha vida através do experimentado Paul Giamatti, o que podemos chamar de uma belíssima “chave de ouro”. A cena final do longa é repleta de camadas e de imagens poderosas e pulsantes. Giamatti empresta à cena um vigor que, dentre outros méritos, arranca de Pattinson sua melhor performance.

O longa decepcionou a difícil plateia de Cannes e, certamente, não será diferente com as plateias das salas de cinemas comerciais, sobretudo se levarmos em consideração a fixidez da imagem de Pattinson ao vampiro que interpretou nos últimos anos; o público da Saga Crepúsculo, certamente, não encontrará, neste filme, nenhuma paridade, a não ser o mesmo ator.  Jefferson Almeida - JB

**

Drama  I "Histórias Cruzadas" ": segregação racial nos EUA da década de 1960  (03/02/12)

Quando a Academia de Hollywood aumentou para dez o número de indicados a melhor filme, a ideia era tornar o Oscar mais popular, permitindo a entrada de concorrentes com que o público se identificasse. A manobra não deu muito certo, como comprovam os indicados deste ano, com uma única exceção: "Histórias Cruzadas", de longe o longa-metragem com maior bilheteria da lista (US$ 169 milhões só nos Estados Unidos).

Baseado no best-seller "A Resposta", o filme estreia nesta sexta-feira (03) no Brasil com a expectativa de, igualmente, atrair espectadores ávidos por uma história edificante e de fácil identificação. Escrito por Kathryn Stockett, o romance é inspirado na infância da autora, criada por uma empregada negra na cidadezinha de Jackson, no Estado do Mississipi.

Apadrinhado pela apresentadora Oprah Winfrey, o livro virou fenômeno de vendas e ajudou a carreira do filme – depois de uma estreia modesta, o boca a boca nas semanas seguintes se encarregou de catapultá-lo para a liderança na América do Norte. O sucesso não é nada difícil de entender, já que "Histórias Cruzadas" mistura os ingredientes básicos para agradar multidões: relevância social, humor, certo romance e farta abertura para lágrimas.

Recém-formada, a jovem Eugenia "Skeeter" (Emma Stone) deixa a universidade e volta para sua cidade-natal, Jackson, com a ambição de se tornar escritora. O cenário são os EUA do início da década de 1960, quando as lutas pelos direitos civis começavam a se alastrar pelo país.

Viola Davis em "Histórias Cruzadas": segregação racial nos EUA da década de 1960

No sul, no entanto, a consciência ainda era de outro século: empregados negros tinham talheres próprios, o contato físico com os patrões era evitado e, conforme a legistação estadual, conversas entre brancos e negros podiam ser até ilegais. Salário mínimo, férias e assistência social não eram nem cogitados.

É nesse contexto que Skeeter, contratada como colunista de assuntos domésticos do jornal local, desperta para as diferenças desse quase apartheid. Apesar de criarem os filhos das patroas brancas como se fossem seus, as serviçais, por conta da "sanidade", precisam até mesmo usar um banheiro construído na rua, nova bandeira da líder comunitária local, a perua e vilã Hilly (Bryce Dallas Howard).

A ideia de um livro em que as empregadas contem tudo o que sofrem no trabalho surge como a salvação de todo mundo – a redenção das empregadas e a chance de Skeeter virar uma escritora.

Daí surgem as verdadeiras protagonistas. Viola Davis, forte candidata ao Oscar de atriz, interpreta Aibileen, doméstica veterana que já criou 17 crianças. Calada e com olhar sofrido, são dela os momentos mais emocionantes do filme. Já a Octavia Spencer, virtual ganhadora da estatueta de atriz coadjuvante, cabe ser o alívio cômico, a desbocada Minny. Jessica Chastain, também indicada a coadjuvante, vive uma nova moradora da cidade, hostilizada pelas outras por ter se casado grávida com um bom partido local.

"Histórias Cruzadas" é exatamente o que parece: meloso até não poder mais. Da trilha sonora apelativa aos personagens previsíveis, tudo está envolto numa camada extra de açúcar.

Tate Taylor, ator que se tornou roteirista e cineasta, não é nada sutil atrás das câmeras e fez um trabalho genérico, com jeitão de novela. Sua competência para o cargo, aliás, nunca foi colocada à prova: é amigo de infância da autora do romance, que lhe concedeu os direitos de filmagem antes mesmo do livro ser publicado.

Apesar disso, "Histórias Cruzadas" funciona. A sorte de Taylor foi ter escalado um elenco excelente. Além das atrizes que concorrem ao Oscar, o grupo tem Emma Stone, nova queridinha de Hollywood e em breve estrela de "O Espetacular Homem-Aranha", a excelente Allison Janney, Mary Steenburgen, a veterana Cicely Tyson e a pequena participação de Sissy Spacek, que rouba todas as cenas em que aparece. Não à toa o filme teve o elenco reconhecido como o melhor da temporada pelo Sindicato dos Atores.

Com esse amparo e a contudente segregação racial, sempre eficaz para gerar emoções, "Histórias Cruzadas" se mostra entretenimento fácil e competente. Não deixa de incomodar o fato de o destino das empregadas ter ficado nas mãos da heroína branca, mas é uma das nuances que o roteiro de Taylor deixa em aberto. Se o filme satisfaz com sua simpatia, não deixa de ser intrigante imaginar como "A Resposta" teria ficado nas mãos de um diretor de verdade. Marco Tomazzoni

**

Drama  I Gerard Butler é religioso polêmico no drama 'Redenção'  (16/12/11)

Uma milícia mata indiscriminadamente os habitantes de um vilarejo localizado ao sul do Sudão. Em uma cena dantesca, um dos soldados exige a uma criança que mate a própria mãe, para sua vida ser poupada. A mulher, uma mártir, acena a cabeça afirmativamente para o filho pedindo que o faça.

Apesar da crueldade ímpar, a sequência inicial de "Redenção" não prepara o espectador para o que vem pela frente. O filme é baseado na vida do norte-americano Sam Childers, que largou as drogas e o crime quando se converteu a uma igreja pentecostal. A história seria apenas banal, se não fosse uma segunda conversão que o tornaria o "pregador-metralhadora" ("Machine Gun Preacher", título original da produção).

Longe das drogas, Childers (Gerard Butler) torna-se bem-sucedido como construtor e fiel praticante da igreja. Em uma das missas, no entanto, um pastor roga por ajuda às crianças africanas. Comovido, o novo Childers parte para o Sudão com o objetivo de construir casas para os desabrigados, vítimas da guerra civil - que nessa época já durava 20 anos. É o primeiro passo para sua segunda transformação.

Ao assistir de perto aos resultados dos massacres, ele acredita que Deus o guiou até lá, onde constroi uma igreja e um orfanato, apesar dos perigos dos grupos paramilitares. O local, no meio do nada, torna-se rapidamente um refúgio para as crianças da região, e Childers, um inimigo do perigoso grupo LRA, que oferece uma recompensa por sua cabeça.

Como tem alguma experiência com armas (graças a sua vida transgressora) o pastor torna-se uma espécie de Rambo para defender seus órfãos. Na pele do protagonista, o ator escocês Gerard Butler se dá bem no papel, ao conseguir caracterizar com grande acerto os difíceis níveis da psicologia de seu personagem.

Também é louvável o trabalho do diretor alemão radicado nos EUA Marc Forster, que mais uma vez comprova ser um dos mais talentosos de sua geração. Como visto no visceral "A Última Ceia" (2001), no sensível "Em Busca da Terra do Nunca" (2004) e no vigoroso "007 - Quantum of Solace" (2008), Forster conhece os gêneros e, aqui, maneja-os com muita propriedade.

Não é fácil o caminho de Childers, que se afasta de sua mulher Lynn (Michelle Monaghan), da filha Paige (Madeline Carroll) e, em determinado momento, do próprio Deus em sua empreitada. As nuances da personalidade do "pregador-metralhadora", inerentes a esse paradoxo, mostram como são duvidosas as linhas morais em situação de emergência.

A produção não fez muito sucesso nos Estados Unidos e chegou a receber críticas de organizações ecumênicas sobre a religião associada à guerra. Mas o fato é que, como mostra a história, só se chegou onde se chegou por uma total falta de apoio.

Marc Forster, como demonstrou em "O Caçador de Pipas" (2007), também não se esquece de que trabalha em Hollywood e, por isso, não deixa de adocicar a trama com recursos fáceis, muitas vezes inconsistentes. Um exemplo é o diálogo travado entre o herói e sua esposa, quando ele pensa em largar tudo: "Pare de choramingar, as crianças não desistiram."

Como o pastor continua seu trabalho no Sudão, o filme não tem um ponto final, recorrendo a fotos do verdadeiro Sam Childers e família, além de imagens aterradoras dos conflitos. Ao deixar aberto o desfecho, Forster delega ao espectador o difícil ônus do debate moral que a obra suscita. Reuters

**

Drama  I 'Two of Us', dos Beatles, dá o tom para 'Inquietos', novo longa dirigido por Gus Van Sant  (25/11/11)

Gus Van Sant virou um especialista em jovens. Com raras exceções, nove entre dez (11?) de seus filmes tratam dos dramas da juventude, desde Drugstore Cowboy e Garotos de Programa (My Own Private Idaho), por volta de 1990, até Elefante, Últimos Dias e Paranoid Park, nos anos 2000.

O novo Gus Van Sant, que estreia hoje, inaugurou a seção Un Certain Regard em Cannes, em maio deste ano. Restless ficou sendo Inquietos no Brasil. O filme nasceu como projeto da atriz, aqui produtora, Bryce Dallas Howard. Apaixonada pelo roteiro de Jason Lew - que havia sido seu colega de curso -, ela conseguiu o apoio do pai, o cineasta Ron Howard, para produzir e encaminhou o script para Gus. "Recebo muitos roteiros de jovens e sobre jovens. A primeira coisa que me interessa é a história. Depois, avalio as questões técnicas. O desenho dos personagens, a viabilidade das produções. Tudo era tão perfeito em Inquietos que não resisti."

Inquietos abre-se com uma canção dos Beatles. "Nunca havia usado nada deles, mas a rodagem foi tão econômica que sobrou dinheiro. Estava sendo difícil encontrar a música, pelo próprio tom do filme. Bryce sugeriu Two of Us e bancou a aquisição." Two of us/riding nowhere/spending someone’s earned paid money/not arriving/on our way back home. Traduzindo dá o sentido das vidas de Enoch e Annabel quando se encontram. "Dois de nós/dirigindo em lugar nenhum/gastando o dinheiro que foi difícil de ganhar para alguém/perdidos, sem chegar, no caminho de volta para casa."
Mas The Fairest of the Seasons, de Jackson Browne, no encerramento, por Nico, foi uma escolha dele. "É triste na medida, sem exagero", ele define. "Agora que é hora/Agora que o ponteiro aterrissou no fim/Agora que é real/Agora que os sonhos deram tudo o que tinham de emprestar/Quero saber se fico ou se vou/E talvez tente outra vez/E eu realmente tenho uma mão no meu esquecimento?" Um filme sobre a morte, não depressivo e com muitos silêncios. "Nenhum outro filme meu valoriza tanto os olhares dos atores. Ele falam pelos olhos tanto quanto com palavras e gestos. Mia e Henry foram ótimos", sentencia Gus.

A dupla, por sua vez, não mede elogios para o diretor. Mia, atriz de Tim Burton e Lisa Cholodenko (Minhas Mães e Meu Pai), está virando um ícone do cinema de autor nos EUA. "Sempre gostei do cinema de Gus porque ele tem respeito pelo jovem. Não nos trata como débeis mentais eternamente no cio, como na maioria das produções de Hollywood voltadas para o público teen", ela avalia. Henry contou uma história. "Estava em Berlim com amigos e havia este homem que tocava saxofone no metrô. Aos pés, tinha um prato de papel, com restos de comida. Ao ver nosso interesse, ele disse - 'Façam sempre as escolhas que forem mais bonitas para vocês. A vida é muito curta para ser desperdiçada'. Foi um momento mágico. Aquela poderia ter sido uma frase de meu pai. Luiz Carlos Merten - O Estado

**

Drama  I “Melancolia”, de Lars Von Trier, traz Kirsten Dunst e história apocalíptica  (05/08/11)

Cena de “Melancolia”, de Lars Von Trier ©Reprodução

Lars Von Trier é quase unanimidade quando se fala em polêmica. Ou são seus filmes, ou suas declarações, como no último festival de Cannes, quando mencionou o nazismo em contexto suspeito. O ousado diretor de longas como “Dogville”, “Dançando no Escuro” e “Anticristo” se embrenha no estado psicológico da “Melancolia” (”Melancholia”), que tem conexão direta com seu lado pessoal: “Tem relação com coisas recentes da minha vida, como minha depressão”.

“Melancolia” usa de tema apocalíptico, quando um planeta, chamado Melancolia, está em vias de colidir com a Terra, o que resultaria em sua completa destruição. No meio disso tudo, Justine, personagem de Kirsten Dunst, está para casar com Michael, interpretado pelo ator Alexander Skarsgard, o vampiro Eric de “True Blood”.

+ Assista ao trailer de “Melancolia” abaixo:


Quem tem como referência o filme anterior, “Anticristo”, de 2009, pode se surpreender, já que a abordagem é bastante diferente. Em “Melancolia”, Von Trier faz uma homenagem à vida. “Não diria que é meu filme mais pessoal, mas sim que foi um dos que mais tive prazer em fazer”, afirmou à “Folha de S.Paulo”. O diretor completou que esse é um filme romântico com toques de humor (vindo do diretor, é bom não se animar muito): “”É que, quando eu faço comédias, elas ficam muito melancólicas. Essa era para ser uma comédia. Vocês não vão querer ver quando eu fizer uma tragédia”, brincou o diretor em entrevista.

Enquanto estava em depressão, Von Trier fez um de seus filmes mais perturbadores, “Anticristo”, e ao sair dela, criou “Melancolia”, que estreia hoje no Brasil. “Há uma espécie de bênção nesse momento em que você desiste de tudo. Quando sai disso, vem a melancolia”, falou ao jornal.

O elenco, Kiefer Sutherland, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg, com o diretor

Além de Kirsten Dunst, que faz sua estreia nos filmes do diretor, o longa conta com a francesa Charlotte Gainsbourg, que esteve no longa anterior e ganhou o prêmio de melhor atriz, em Cannes, por ele. E a francesa afirma que o modo como Von Trier dirige suas atrizes, de levá-las a extremos, não mudou. “Ele continua pressionando. Segue não respondendo minhas perguntas. Não me dava nenhuma resposta sobre as dúvidas que eu tinha do roteiro. Mas eu gosto disso, gosto de estar no escuro”, disse em entrevista.

E se você não se interessa pelos filmes do diretor, vale dizer que Kirsten Dunst aparece completamente nua, iluminada pela luz da lua. E é tudo de verdade, já que o diretor se recusou a usar qualquer tipo de retoque. “Eu confiei em todos, e a luz era linda. Não malhei antes, foi tudo bem natural. Não tenho nenhum grande problema com meu corpo. Eu nunca como excessivamente, perco peso no verão e ganho no inverno e sim, eu tenho peitões. As pessoas não imaginam porque eu cubro muito, mas eles estão ali. Peitões”, contou em entrevista à “Elle” britânica de setembro, em que também estampa a capa. (Stephanie Noelle -ffw)

Kirsten estrela a edição de setembro da “Elle” UK ©Reprodução “Elle”

**

Drama  I Nicole Kidman volta à boa forma em "Reencontrando a Felicidade" (06/05/11)

Ao lado de elenco excelente, estrela incorpora um doloroso retrato da perda

Reencontrando a Felicidade Poster 07

Após anos amargando um fracasso atrás do outro, Nicole Kidman resolveu produzir uma adaptação da peça "Rabbit Hole", vencedora do Pulitzer, e a aposta deu certo. Aos 43 anos, a atriz foi lembrada por praticamente todos os prêmios da temporada e recebeu uma indicação ao Oscar 2011. Com razão. "Reencontrando a Felicidade", título nacional piegas para o filme que estreia nesta sexta-feira (06) no país, é um doloroso retrato da perda e Kidman serviu como estandarte para o elenco competentíssimo que a acompanha.

Reencontrando a Felicidade Poster 05

Dona de casa dedicada, Becca (Kidman) esconde nos afazeres domésticos o coração dilacerado pela morte do filho de quatro anos. Já se passaram oito meses, mas, no fundo, o tempo passa como se o acidente tivesse acontecido há poucos dias. Becca esconde brinquedos, roupas, se desfaz do cachorro para aliviar a rotina. O pai, Howie (Aaron Eckart), por outro lado, lida com a dor de um jeito diferente – tenta seguir em frente e manter uma vida social, embora gaste as madrugadas vendo vídeos da criança. Faz questão, ao contrário da mulher, de manter viva a presença do filho.

Reencontrando a Felicidade Poster 01

O casamento anda aos frangalhos e os dois buscam consolo num grupo de apoio. Ali, a raiva de Becca aflora e ela reage com acidez e humor à hipocrisia da mão no ombro e da religião. É o mesmo mecanismo que usa para fugir dos conselhos da mãe (Dianne Wiest) e sua insistência em comparar as mortes do neto e do filho, irmão de Becca.

Ainda há amor, mas o clima na casa se torna opressor, às vezes asfixiante. O casal se afasta cada vez mais, numa forma solitária de encarar a saudade, atrás de compensação ou alívio, e desenvolve relações secretas. Becca procura o adolescente (Miles Teller) que atropelou seu filho, enquanto Howie fuma maconha e se diverte com uma colega do grupo de apoio (Sandra Oh).

Reencontrando a Felicidade 09

Esses desejos escondidos são o único ponto comum entre "Reencontrando a Felicidade" e os outros trabalhos do diretor John Cameron Mitchell. O filme fica longe da transgressão de "Hedwig - Rock, Amor e Traição" (2001) e do choque comportamental de "Shortbus". Aqui, Mitchell surge quase minimalista no estilo e deixa a força para os diálogos e situações criadas pelo dramaturgo David Lindsay-Abaire, que também escreveu o roteiro.

Reencontrando a Felicidade 02

É um projeto de orçamento pequeno (US$ 5 milhões) e emoções superlativas. Muito se falou sobre a atuação de Kidman, mas a força se divide igualmente entre os outros atores. Eckart não foi o outdoor da máquina de promoção, mas entrega uma performance poderosa, sem dúvida um de seus melhores trabalhos. Dianne Wiest, por sua vez, está soberba. Se não fosse a forte figura midiática de Kidman, seguramente seria lembrada nos prêmios a coadjuvante.

Quanto à estrela, há anos ela não aparecia tão segura em cena. Faz uma interpretação de nuances, sofrida como a personagem, que se torna explosiva quando a mãe tira a máscara da tranquilidade e mostra a dor que sente por dentro. Um trabalho forte, que só peca, bem, por uma máscara de fato.

Reencontrando a Felicidade 04

As plásticas de Kidman deixaram seu rosto praticamente inexpressivo. Em determinado momento, Becca grita e nenhuma linha – nenhuma – se forma nas bochechas ou na testa. É um busto de porcelana assustador no qual fica difícil de se acreditar, mesmo com lágrimas fartas. Além do mais, uma dona de casa suburbana dificilmente investiria em lábios falsos e intervenções cirúrgicas para ter uma face intocada. Não resta qualquer dúvida do talento de Nicole Kidman. O duro vai ser olhar para ela no futuro. Marco Tomazzoni

**

Drama  I “Além da Vida” (“Hereafter”), do diretor norte-americano Clint Eastwood (07/01/11)

A onda de filmes espíritas que invadiu os cinemas brasileiros em 2010 pode levar até os fãs mais fiéis do cineasta norte-americano Clint Eastwood a torcer o nariz para seu novo trabalho, “Além da Vida” (“Hereafter”), que estreia nesta sexta-feira (7). O título em português, digno de novela das seis, deve reforçar a impressão de que, aos 80 anos, o consagrado diretor decidiu convencer o público sobre a existência de vida após a morte.

Eastwood, porém, não é afeito a filmes de tese. Mesmo ao lidar com temas polêmicos – a eutanásia em “Menina de Ouro” (2004) e a pena de morte em “Crime Verdadeiro” (1999), por exemplo –, ele sempre prefere contar uma boa história a fazer campanha. Em “Além da Vida”, segue a mesma linha: parte do princípio de que existe vida após a morte sem tentar oferecer respostas para as questões dos personagens ou as do público. É, sem dúvida, o filme mais espiritual do diretor, ainda que o sobrenatural já tenha marcado presença em obras como “Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal” (1997) e, de forma indireta, “O Estranho Sem Nome” (1973).

“Além da Vida” acompanha três personagens que, de formas distintas, estão ligados à morte. Em São Francisco, George Lonegan (Matt Damon, em excelente e sutil atuação) tenta deixar para trás uma promissora carreira como médium. O dom de estabelecer contato com pessoas mortas, que possui desde a infância, tornou-se para ele uma maldição que o impede de levar uma vida normal.

Em Londres, o garoto Marcus sofre com a trágica morte do irmão gêmeo, Jason (George e Frankie McLaren se revezam nos dois papéis), e recorre a todo tipo de crença e tecnologia para entrar em contato com ele: videntes, centros espíritas, vídeos religiosos, microfones superpoderosos e até a observação de espelhos.

Em Paris, a jornalista Marie Lelay (a ótima atriz belga Cécile De France) vê sua vida mudar radicalmente após sobreviver ao tsunami de 2004, recriado por Eastwood em uma sequência de tirar o fôlego (“Além da Vida” foi pré-selecionado para o Oscar de efeitos visuais). Engolida pelas ondas gigantes, ela passa pela chamada "experiência de quase-morte" e, de volta para casa, se dedica a investigá-la.

Com a história de Marie, Eastwood e o roteirista Peter Morgan (de “A Rainha” e “Frost/Nixon”) retratam quem acredita na vida após a morte como vítimas de isolamento e preconceito. A obsessão da jornalista pelo tema tira sua credibilidade e coloca em risco uma carreira em ascensão na TV francesa e um relacionamento amoroso, ainda que sua crença seja mais científica que religiosa. Cada vez mais sozinha, Marie sentirá alívio no encontro com pessoas como ela, com quem possa dividir abertamente o interesse por perguntas que, para grande parte da sociedade, não devem ser feitas.

O encontro entre os três personagens principais será tão conveniente quanto pouco convincente, e a "forçada de barra" para os destinos se cruzarem tira parte da força de “Além da Vida”. O excesso de coincidência, porém, não diminui o prazer de acompanhar o modo detalhado com que Eastwood apresenta as histórias de George, Marcus e Marie, talvez a grande qualidade do filme.

Em entrevista à televisão canadense durante o Festival de Toronto, Clint explicou a preferência por um ritmo mais lento: "Na geração MTV em que vivemos, é algo de que ainda gosto: que possamos desenvolver as histórias de verdade e conhecer as pessoas em detalhes, ao invés de apenas jogar com a dificuldade de concentração dos dias de hoje".

 

Em um dos melhores momentos do filme, George aproveita uma aula de culinária para conhecer Melanie (Bryce Dallas-Howard, muito bem no papel), uma jovem tão solitária quanto ele. A conversa cheia de revelações acontece durante um dos exercícios, no qual, vendada, ela deve descobrir os ingredientes das pequenas porções servidas por George. A cena – simples, original e bonita – acrescenta pouco em termos de ação, mas é um verdadeiro primor no que diz respeito à construção de personagens.

Com sequências como essa, Clint faz um filme mais sobre a vida que sobre a morte, no qual as especulações sobre “o outro lado” não se sobrepõem ao “mundo real”. Em meio a tantas dúvidas sobre o que vem depois, só há uma certeza: a vida será sempre limitada e as verdadeiras conexões devem ser feitas agora. Luísa Pécora

**

Drama  I Diretor Julio Medem explora romance lésbico em "Um Quarto em Roma" (26/11/10)

É difícil entender o que aconteceu com Julio Medem. O diretor espanhol, cultuado por filmes como "Os Amantes do Círculo Polar" (1998) e "Lúcia e o Sexo" (2001), enveredou por caminhos confusos e não é mais o mesmo. Seu recente filme "Caótica Ana" (2007) já demonstrava falta de foco e de rumo. O mesmo acontece neste novo "Um Quarto em Roma". Centrando a narrativa em duas jovens e belas mulheres, a espanhola Alba (Elena Anaya, de "Lúcia e o Sexo") e a russa Natasha (Natasha Yaroveko), conta-se a história de uma paixão. As duas moças se encontraram na capital italiana, se olharam num bar e, mesmo que Natasha esteja de casamento marcado e nunca tenha ficado com uma mulher, ela aceita passar a noite com Alba. No dia seguinte, as duas partem para seus respectivos países e vidas bem diferentes.

Mesmo que a trama não tenha originalidade - já foi explorada em filmes como o chileno "Na Cama", de Matias Bize, "Antes do Amanhecer", de Richard Linklater, e tantos outros -, poderia, ainda assim, tornar-se interessante. Um problema está no roteiro - do próprio Medem -, inconsistente e pretensioso quando faz digressões sobre música e os quadros que enfeitam o quarto de hotel romano que será praticamente o único cenário de todo o filme. Outro problema está no elenco. Elena Anaya é uma atriz, tendo provado seus talentos em trabalhos de Pedro Almodóvar, como "Fale com Ela". Mas ela tem dois inimigos, um no roteiro fraco, que lhe destina frases difíceis de proferir, outro na canastrona colega de cena, a bela ucraniana Natasha Yarovenko. Por causa da fragilidade de interpretação de Natasha, não se consegue acreditar por um minuto na avassaladora paixão que está consumindo as duas moças, que é a espinha dorsal da história.

Embora sejam as duas belíssimas, corpos esculturais e tudo, não conseguem suprir a deficiência básica de "Um Quarto em Roma" - um filme cuja sensualidade artificial chega a cansar. De novo, cabe a pergunta: o que terá acontecido a Julio Medem? Será que ainda vai ter jeito no futuro? (Reuters)

**

Drama  I Veja Gwyneth Paltrow de cantora decadente no trailer de Country Strong (13/09/10)

Acaba de sair o trailer de Country Strong (ex-Love Don't Let Me Down), que tem Gwyneth Paltrow atuando ao lado do cantor country Tim McGraw, Garrett Hedlund (Eragon, Tron: O Legado) e Leighton Meester (Gossip Girl).

A história mostra Hedlund como um cantor em ascensão que acaba se envolvendo com uma cantora country decadente (Paltrow) e embarca numa turnê pensada para reacender a carreira dela. Eles são acompanhados na viagem pelo personagem de Tim McGraw, marido e gerente da cantora, e Leighton Meester, vencedora de um concursos de beleza que virou cantora. A direção e o roteiro ficam por conta de Shana Feste, indicada este ano ao prêmio do júri em Sundance por The Greatest, seu longa de estreia. Country Strong estreia nos EUA em circuito reduzido em 22 de dezembro. 

**

Drama  I Diretor Paul Thomas Anderson, de Sangue Negro quer polemizar com a cientologia (04/06/10)

O diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”) está preparando um filme sobre uma seita que possui muitos paralelos com a cientologia, seguida por vários astros de Hollywood como Tom Cruise e John Travolta. O tema é polêmico e já foi dispensado pelos estúdios Universal, que disseram não ter interesse em distribuir o filme. Ele será filmado de forma independente.

A produção possui o título provisório de “The Master”. Acompanha um líder carismático, fundador na década de 50 de uma organização baseada na fé, que se torna um império. Na trama, ele será confrontado por um de seus seguidores, um ex-alcoólatra chamado Freddie Sutton, que começa a questionar os ideais da seita. O Mestre será vivido por Philip Seymour Hoffman (“Capote”) e Freddie será interpretado por Jeremy Ranner (“Guerra ao Terror”). Anderson ofereceu o papel de Mary Sue, esposa do Mestre, para Reese Witherspoon (“Johnny & June”), que ainda não confirmou sua participação. O diretor agora busca uma atriz para viver a filha do Mestre. A escolha está entre Amanda Seyfried (“Dear John”), Emma Stone (“Zumbielândia”) e Deborah Ann Woll (“True Blood”).

**

Drama  I Veja imagens de Coriolanus, o primeiro filme dirigido por Ralph Fiennes (02/06/10)

As filmagens de Coriolanus, filme que marca a estreia de Ralph Fiennes (Harry Potter) como diretor, já estão acontecendo na Sérvia. Saem agora as primeiras imagens do filme. Gerard Butler (300) estrela o longa ao lado de William Hurt, Eddie Marsan, Jessica Chastain e Vanessa Redgrave. Fiennes também vai atuar no filme.

A adaptação da peça Coriolano é um drama político e familiar sobre o general romano Caio Márcio, que tomou a cidade Corioli dos Volscos, tornando-se a figura política mais odiada pelo povo romano. Fiennes quer fazer uma versão contemporânea da tragédia, escrita por William Shakespeare. Butler interpretará Tullus Aufidius, general do exército volsconiano. O roteiro foi escrito por John Logan (O Último Samurai). O filme ainda não tem data de lançamento definida.

**

Drama  I The Company Men:Kevin Costner e Ben Affleck no drama independente sobre grandes corporações (13/01/10)

Kevin Costner volta às telas como Jack Dolan no drama independente sobre grandes corporações em The Company Men. Escrito e dirigido por John Wells, a produçăo mostra um ano na vida de três homens tentando sobreviver a um processo de “reduçăo corporativa” numa grande companhia, como isso os afeta e as consequências sobre suas famílias e comunidades.No filme, além de Costner estăo no elenco os astros Ben Affleck, Tommy Lee Jones, Maria Bello, Craig T. Nelson, Chris Cooper e Rosemarie DeWitt. Ainda sem data de estreia no Brasil.

**

Drama  I Vídeo de Prince of Persia revela várias cenas novas do filme (16/12/09)

Prince of Persia: The Sands of Time  ganhou um novo vídeo. É um featurette de dois minutos e meio sobre o  príncipe Dastan, que mostra muitas cenas inéditas do filme (e dá pra identificar o que se passa, não tem aquela clipagem esquizofrênica   do trailer), além de trechos de bastidores, com Jake Gyllenhaal treinando descamisado,   entre outras coisas.  Assista:

Na trama, Nizam (Ben Kingsley) arma o assassinato de seu irmão,   Shahrman, o soberano de Pérsia, e bota a culpa no príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal)   para poder assumir o trono. Banido, Dastan tem que relutantemente juntar forças   com uma bela e misteriosa princesa (Gemma Arterton) para guardar   uma adaga ancestral capaz de conjurar as areias do tempo - um presente dos deuses   que pode fazer voltar o tempo e dar ao seu mestre o controle do mundo.

Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo,   O Amor nos Tempos do Cólera) dirige o filme, que tem estreia prevista para   28 de maio de 2010. No Brasil chegará com o título Príncipe da Persia:   As Areias do Tempo.

**

Drama  I Harrison Ford e Brendan Fraser no trailer do drama Medidas Extraordinárias(Extraordinary Measures)  (16/11/09)

**

Drama  I “Voluntária sexual”, drama sul-coreano de Kyeong-duk Cho, levou o grande prêmio do júri desta 33ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que terminou na noite de quinta-feira (5). Polêmico, o filme fala sobre mulheres que se voluntariam a ter relações sexuais com deficientes físicos na Coréia do Sul. (06/11/09)

Pode-se dizer que "Voluntária sexual" é “um filme dentro de um filme”. Na trama, uma jovem quer fazer um documentário sobre o “sexo voluntário”, baseado em suas próprias experiências em um quarto de hotel. Presente na cerimônia de encerramento - que foi comandada sob chuva pelos apresentadores Serginho Groisman e Marina Person - o diretor agradeceu ao júri por ser “livre de preconceitos”. "Sei que tanto o nome quanto o tema de meu filme são polêmicos, mas agradeço ao júri por não encarar isso como um problema. Vocês foram livres de preconceitos”, ressaltou Cho. O cineasta também fez alusão a garoa que caía na noite da premiação e que fez o público presente na Cinemateca, na Vila Clementino, assistir à cerimônia vestindo capas de chuva improvisadas pela organização da Mostra. “Desde pequeno considero os dias de chuva como meus dias de sorte. Eu sempre ia bem nas provas quando chovia. Agora ficou difícil acreditar que seja apenas uma coincidência”, brincou.

**

Drama  I Natalie Portman (’Closer – Perto Demais’) volta a fazer parte de um triângulo amoroso no cinema (como no cultuado ‘Closer – Perto Demais’)   01/09/09

O drama estrelado por Jake Gyllenhaal (Zodíaco), Tobey Maguire (Homem-Aranha 3) e Natalie Portman (A Outra) é uma refilmagem do filme homônimo dinamrquês, dirigido por Susanne Bier em 2004. A trama conta a história de dois irmãos: Michael (Maguire) é um militar bem-sucedido em sua carreira no Exército. Quando ele é enviado a uma missão no Afeganistão, pede para Jannik (Gyllenhaal), seu irresponsável irmão mais novo cuide de sua família, incluindo a esposa, Sarah (Natalie). O desparecimento do marido e o estreitamento das relações entre o irmão mais novo e a esposa vira um complicado triângulo amoroso.

Dirigido por Jim Sheridan (Em Nome do Pai) e com roteiro adaptado por David Benioff (X-Men Origens: Wolverine), Brothers estreará em 4 de dezembro nos Estados Unidos, segundo o site Worstpreviews com esperança de conseguir uma nomeação ao Oscar 2009. No Brasil, não há previsão de estreia.  

  
**

Drama  I A Teta Assustada  (Drama - 14 ANOS)   22/08/09

A história de Fausta, que tem uma doença chamada “teta assustada”, que se transmite pelo leite materno de mulheres violadas durante a guerra terrorista do Peru. Vencedor do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. (La teta asustada) Peru/Espanha, 2009. Direção: Claudia Llosa. Elenco: Magaly Solier, Susi Sánchez, Efraín Solís. Duração: 95 min.  

Comentar

Você precisa ser um membro de universomovie para adicionar comentários!

Entrar em universomovie

Badge

Carregando...

U/Fashion Films

models.com

Holiday

coverholiday

Holiday magazine releases an all Scotland issue More...

Vídeos

  • Adicionar vídeo
  • Exibir todos

We are so Droeë

Katlin

Publication: Vogue Japan December 2014 Model: Katlin Aas Photographer: Andreas Sjodin Fashion Editor: Hair: Make-up:

fashion editorials.com

Editorial Exclusive : Veronika V(Wilhelmina LA) by Ted Emmons for FE!

Photographer: Ted Emmons @ 7 Artist Management  Stylist: Rafael Linares @ One Represents  Stylist Assistant: Frida Lofgren Manicurist: Karen Guiterrez @ Nailing Hollywood Mua: Brittany Meredith Hair: Sal Salcedo Model: Veronika V. @ Wilhelmina  

Smile

Kati Nescher, Alessandra Ambrosio & Edita Vilkeviciute in Vogue Spain November 2014 by Alexi Lubomirski


Triple beauties Edita Vilkeviciute, Alessandra Ambrosio & Kati Nescher sit pretty with natural set make-up and dressed in attire by the fall collection by Christian Dior for the November issue of Vogue Spain, with photography by Alexi Lubomirski.


Geral Cinema

'Big Hero 6' explora amor japonês por animações em Festival de Tóquio renovado

Foto: Mario Anzuoni/Reuters
Os personagens de animê japoneses Hello Kitty e Doraemon exibiram seus dotes no tapete vermelho nesta quinta-feira, quando a animação da Disney Operação Big Hero 6 deu a largada no Festival de Tóquio, de cara nova e investindo no amor dos japoneses por animações....

© 2014   Criado por universomovie.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço