Documentário I Filme de Wim Wenders sobre Sebastião Salgado é ovacionado em Cannes (20/05/14)

Thiago Stivaletti

O Brasil não emplacou nenhum longa-metragem nas três seções do Festival de Cannes, mas um brasileiro (que nem estava presente) ganhou um dos maiores aplausos até agora no evento. "O Sal da Terra", documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, foi aplaudido de pé por cinco minutos ao final de sua única sessão. O filme é dirigido pelo alemão Wim Wenders ("Pina") e pelo filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado, que estavam presentes.

O diretor Wim Wenders (centro) posa ao lado de Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo Sebastião Salgado (esquerda), e do roteirista David Rosier Sebastien Nogier/EFE

Em "O Sal da Terra", o próprio Salgado vai contando as histórias por trás de suas fotos mais emblemáticas, começando pelas impressionantes fotos feitas em Serra Pelada nos anos 80 ("era como seu eu tivesse vendo toda a história da humanidade, a construção das pirâmides no Egito. Não se ouvia o barulho de uma única máquina"). Wenders e Juliano narram alguns trechos, mas falam bem menos que o próprio fotógrafo.

Os momentos mais emocionantes são as sequências de fotos feitas para o projeto "Êxodos", em que Salgado retratou centenas de adultos e crianças morrendo de fome em países como Mali e Uganda entre 1994 e 2000. Igualmente impressionantes são as imagens de crianças veladas de olhos abertos durante a seca no Nordeste, "porque os sertanejos acreditam que, se a criança morreu sem ser batizada, precisa manter os olhos abertos para encontrar seu caminho até o céu".
As imagens de fome e seca são equilibradas ao final pelas deslumbrantes fotos de outro projeto, "Terra", em que retratou ecossistemas pouco explorados pelo homem nos quatro cantos do planeta. O projeto começou por Galápagos, onde Darwin desenvolveu sua teoria da evolução em 1835. Ao mostrar uma das fotos mais marcantes do projeto, a de uma tartaruga centenária, Salgado comenta: "essa tartaruga já era adulta quando Darwin esteve nestas ilhas. Ele pode ter estado com ela, quem sabe".
No documentário, Wenders conta que conheceu o trabalho de Salgado há 25 anos, quando, ao visitar uma galeria, se emocionou com a imagem de uma mulher cega feita por Salgado para um dos seus primeiros projetos, "Trabalhadores". "Desde então eu me tornei um admirador incondicional do seu trabalho, mas só vim a conhecê-lo pessoalmente há seis anos", conta.
"Um dia, ele me perguntou se eu gostaria de acompanhar a ele e Juliano numa viagem sem objetivo preciso que eles tinham iniciado, e para qual eles perceberam que precisavam de um outro ponto de vista, de um estrangeiro", relata.
O resultado é uma viagem emocionante pela obra de Salgado, tão encantadora quanto a homenagem à dançarina alemã Pina Bausch feita em "Pina" (2011).

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Documentário I Bardot – La Méprise explora a ausência de Brigitte Bardot   (12/03/14)

Documentarista comenta a hoje trágica figura da musa do cinema dos anos 1960

Se até o Oscar homenageou Eduardo Coutinho, você pode estar certo de que o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade não vai esquecer o grande diretor de Cabra Marcado para Morrer e Edifício Master. Amir Labaki vai anunciar hoje – juntamente com toda a programação da 19.ª edição do evento que coordena (a se realizar entre os dias 3 e 13 de abril) –, que haverá uma homenagem bem pontual e simbólica, lembrando a importância de Coutinho para o documentário brasileiro e o fato de ele ter sido sempre um amigo do evento.

O que você também já pode ir se preparando para ver é um documentário muito interessante sobre um dos ícones do século 20. Uma das – aquela cujas iniciais se tornaram referências em todo o mundo. BB – Brigitte Bardot. Bardot – La Méprise (Bardot – A Desprezada), de David Teboul, vai integrar a mostra Programas Especiais do festival e já tem duas sessões previstas, nos dias 7 e 8 de abril, no Cine Livraria Cultura. Programe-se. O filme fez história na França como o documentário que atraiu mais público ao ser exibido na TV, pela Arté. Numa entrevista concedida sábado, por telefone, de Paris, o diretor fala do É Tudo Verdade, de Brigitte e do próximo projeto, baseado na correspondência de Antonin Artaud.
Como foi a encomenda para fazer o documentário sobre Brigitte Bardot?

Na verdade, é preciso esclarecer que se trata de uma falsa encomenda. Sempre quis fazer um filme sobre ela. Desde que me iniciei nesse mundo do cinema, e me tornei documentarista, sempre pensei num filme sobre Brigitte Bardot. Garoto, sonhava com sua imagem sensual e, adulto, sempre me impressionei com essa mulher que um dia jogou tudo para o alto. Desistiu da carreira e foi viver a vida, militando em outras frentes. Mas o que sempre me convenceu de que um dia eu faria este filme, teria de fazer? Foi a descoberta de O Desprezo/Le Mépris, de Jean-Luc Godard. É o maior papel de Brigitte. Godard, de alguma forma, intuiu que ela largaria tudo. E se trata de um grande, de um imenso filme.
Revi-o num voo da Air France e concordo plenamente. É o meu Godard e aquele travelling do início, em Cinecittà, é de cortar o fôlego. O título vem daí, La Mèprise?

A associação se faz naturalmente, mas tenho a impressão de que temos tendência a desprezar Brigitte porque se tornou uma velha excêntrica. Eu diria – uma velha dama indigna. Vive isolada com seus animais. Para mim, e era isso que queria entender e mostrar, é uma figura trágica. Uma tragedienne. Uma mulher que abandona tudo, que se recusa a viver seu destino imposto pela sociedade, mesmo que seja a sociedade do entretenimento. Isso é uma tragédia grega, uma tragédia de Racine, convenhamos.
Você talvez romantize. Nos últimos anos, o desprezo não é pela dama que defende os animais, mas pela que apoia a extrema-direita na França. Digo algum absurdo?

Não, mas se você viu o filme sabe que essa Brigitte não me interessa. O filme é habitado pelo fantasma da Brigitte libertária, e foi essa que escolhi filmar.
O fantasma, justamente. A própria Brigitte é a grande ausente de seu filme. Conte como conseguiu convencê-la?

Já havia tentado antes, não sei se você sabe, mas a partir do comprometimento de Arté as coisas começaram a andar. Ela fez apenas uma exigência, e me disse que estava me dando um presente. Sua única condição era não aparecer. Ela abriu suas casas míticas em La Madrague, por exemplo, e me franqueou as centenas de horas de filmes domésticos que seu pai fez desde que ela era bebê, muito antes de virar BB. E eu tinha os filmes que esculpiram sua imagem. Eu já queria fazer um documentário sobre ela, mas sem Brigitte. Isso facilitou muito as coisas. A par de toda a parte iconográfica, tenho dois recitativos, dois textos. Um é feito de minhas reflexões, até de minhas obsessões por e sobre ela. O outro são textos da própria Brigitte em seu livro autobiográfico, e que são lidos por Bulle Ogier.
Brigitte, la méprise, c’est Brigitte, la tragedienne. A desprezada, é Brigitte, a trágica. Fale um pouco sobre essa figura em que ela se converteu?

Mas Brigitte sempre foi trágica. Do que tratam as tragédias? De relações familiares. E Brigitte, que desde criança foi sempre ligada aos animais, desprezou a própria maternidade. Seu filho Nicolas, que teve com Jacques Charrier, foi abandonado por ela. Um pouco como revanche, ao virar adulto, ele foi morar na Escandinávia, longe dessa mãe que o rejeitou. Até nisso ela foi trágica.
Mas no início ela era uma mulher-criança, que assumia sua sexualidade com inocência, quase sem consciência de estar se desnudando, de estar provocando os homens?

Foi o que fez da jovem BB um furacão que assolou o mundo nos anos 1950. As vamps americanas eram fatais. Brigitte parecia infantil, fazendo beicinho. Só que as iniciais BB colaram nela como ferro, e ela fez o que pôde para se desvencilhar.
Conhece o É Tudo Verdade?

Sei da reputação séria do festival, e estou muito contente de que meu filme passe aí. Não gostaria que Bardot – La Méprise fosse visto como obra sensacionalista, porque não é.
É um filme sobre o fantasma, sobre a ausência, como você define. Mas a todo momento temos a impressão de que Brigitte vai romper o isolamento e surgir. Ela aparece, por sinal, fugazmente, meio na sombra, com seus bichos...

Nãããoooo. Não sei de onde todo mundo tira que aquilo é filme. É uma foto. O acordo foi cumprido até o fim porque é o conceito do filme.
Em vez de La Méprise, poderia ser Le Fantôme (O Fantasma) de Brigitte? E o próximo projeto?

No caso de Brigitte, poderia ter feito um filme de entrevistas, porque tem muita gente viva, até ela, mesmo que não esteja interessada em falar. Meu próximo filme será habitado por outro fantasma, o de Antonin Artaud. Preparo, também para Arté, um filme baseado na correspondência de Artaud. Foi um personagem essencial do pensamento, e da consciência, e da contestação no século 20. Às vezes, somos levados a crer que sabemos tudo sobre ele, mas há um Artaud que nos escapa. Vou em busca desse Artaud. Ainda não sei como, mas de alguma forma acho que vai completar La Méprise. Mas preciso fazer, para saber como.

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

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Documentário I  Diretor Asif Kapadia do documentário sobre Senna prepara filme sobre Amy Winehouse    (25/04/13)

A cantora britânica Amy Winehouse será tema de um novo documentário com material inédito, anunciou a distribuidora da obra nesta quarta-feira. O filme será dirigido pelo também britânico Asif Kapadia, ganhador do prêmio Bafta de documentário por "Senna" (2010), sobre o piloto brasileiro Ayrton Senna.

Winehouse morreu em 2011, aos 27 anos, vítima de uso excessivo de álcool. Ela despontou para a fama em 2006, com o álbum "Back to Black", mas teve uma vida marcada por problemas com álcool e drogas.

"Amy foi um talento que só surge uma vez a cada geração, e que chamou a atenção de todos. Ela compôs e cantou com o coração, e todos caíram sob seu encanto", disseram Kapadia e o produtor James Gay-Rees em nota.

"Mas, tragicamente, Amy pareceu desmoronar sob a incansável atenção da mídia, seus conturbados relacionamentos, seu sucesso global e seu estilo de vida precário", acrescentaram. "Como sociedade, celebramos seu enorme sucesso, mas aí fomos rápidos em julgar suas falhas quando nos foi conveniente."

A distribuidora Focus Features International disse que o documentário, ainda sem título, será oferecido em maio a compradores internacionais no Festival de Cannes. Reuters -  Eric Kelsey

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Documentário I  'Mataram meu Irmão' e 'A Máquina que Faz Tudo Sumir' vencem Festival  É Tudo Verdade   (14/04/13)

 

Os principais prêmios da edição 2013 do festival de documentários É Tudo Verdade ficaram com o longa Mataram meu Irmão, de Cristiano Burlan, que venceu a competição brasileira, e o georgiano A Máquina que Faz Tudo Sumir, de Tinatin Gurchiani, ganhador da categoria internacional. A cerimônia de premiação foi realizada na noite deste sábado (13), no Cine Livraria Cultura, em São Paulo.

Os filmes podiam ser premiados nas categorias: Melhor Documentário Internacional Longa ou Média-Metragem, prêmio de R$ 15 mil, Melhor Documentário Brasileiro de Longa ou Média-Metragem,  prêmio de R$ 110 mil, Melhor Documentário Internacional de Curta-metragem, prêmio de R$  6 mil, Melhor Documentário Brasileiro de Curta-Metragem, com prêmio no valor de R$ 10 mil.

O júri dos filmes internacionais foi formado pelo cineasta Peter Wintonick, o crítico de cinema Stig Björkman e a mestre em Estética e Filosofia da Arte Susana Sousa Dias. Já na competição nacional estavam a roteirista Flávia Castro, o co-fundador da produtora Olhar Eletrônico, Marcelo Machado, e o produtor de O Cheiro do Ralo Matia Mariani.

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Documentário I  Meet the Fokkens retrata as prostitutas mais velhas do mundo   (06/10/12)

Elas são irmãs gêmeas e já completaram 70 anos de idade. Durante mais de 50 anos trabalharam como prostitutas no bairro Red Light de Amsterdã — famoso reduto de prostituição e diversões adultas.

Uma delas, Louise Fokkens, já se aposentou: “Já não dava mais para por uma perna na frente da outra”, diz ela, reclamando da artrite. Martine, no entanto, continua na labuta, alegando não poder viver com a aposentadoria do Estado.

Experiente, ainda que no alto de seus 70 anos, Martine compensa a idade com o conhecimento que tem sobre os desejos dos homens — e se especializou em bondage, uma prática sexual que envolve imobilização por cordas ou atadura.

Apesar de a história de vida de ambas ter passagens trágicas, como é de esperar de todas as prostitutas, Louise e Martine optam pelo humor e graça. Estes são os elementos que predominam no livro e no documentário baseados na vida delas, o Meet the Fokkens.

O livro foi um grande sucesso na Holanda e já está sendo produzido em outros idiomas. Já o documentário promete ser a grande atração no Festival Internacional de Documentários em Amsterdã, a ser realizado em novembro.

Veja o trailer:

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Com imagens raras, "Tropicália" recupera momento essencial da cultura brasileira    (14/09/12)

Antes de ser medalhões da música brasileira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e Rita Lee, junto com Os Mutantes, eram jovens. Jovens revolucionários dos anos 1960, que, se não carregavam armas e vestiam roupas camufladas, pelo menos com sua postura libertária, em rede nacional, ofereciam perigo.

Ao mesmo tempo em que balançavam as bases do conservador establishment tupiniquim com rock e palavras de ordem, eram estrelas da mídia, numa combinação curiosa e poderosa. Esse era o mundo do tropicalismo, que o documentário "Tropicália", em cartaz a partir desta sexta-feira (14), se esforça em retratar.

Movimento cultural mais importante do país dos últimos 50 anos, o tropicalismo nunca havia ganhado um filme, digamos, formal. Exibido em festivais neste ano, "Futuro do pretérito: Tropicalismo now!", de Ninho Moraes e Francisco César Filho, se aventurou por esse universo, mas de forma bem mais livre, sem compromisso com fatos e nomes. Nesse sentido, o longa-metragem de Marcelo Machado ("Ginga") se torna de cara essencial por ser justamente único.

Ainda bem que essa não é a sua única qualidade. Desde o início "Tropicália" enche os olhos por trazer farto material de arquivo, boa parte pouco conhecido – em se tratando de figuras tão midiáticas quanto Gil e Caetano, é um feito e tanto.

O filme recua um pouquinho no tempo para contextualizar seus personagens, mas se mantém essencialmente entre 1967 e 1969, período em que o movimento aconteceu de verdade. Depois disso, avança até o início da década de 1970 para acompanhar o exílio de Caetano e Gil na Inglaterra. O foco faz bem à narrativa, embora não garanta que o documentário escape de uma certa superficialidade.

 

Seria impossível fazer um filme definitivo sobre o tropicalismo com uma hora e 20 minutos de duração. Um momento tão complexo da cultura e do país, com tantos personagens, renderia facilmente uma minissérie em capítulos para, aí sim, comportar entrevistas, história e números musicais a contento.

"Tropicália" abre mão do didatismo para mostrar um painel amplo. Está tudo lá, mas nem tudo recebe a atenção que merece e quem não está familiarizado com o assunto pode facilmente não perceber a citação, às vezes restrita a uma foto que aparece por segundos. É o caso, por exemplo, do escritor José Agrippino de Paula, do artista Rubens Gerchman, de Jorge Ben e até mesmo de figuras importantes do tropicalismo, como os letristas Torquato Neto e José Carlos Capinam. De certa forma, funciona quase como um grande videoclipe com ambições documentais.

Mesmo assim, o filme compila um bocado de informação e serve como um excelente cartão de visitas para quem quiser se aprofundar mais. A apresentação dos fatos que culminaram no tropicalismo é exemplar, um turbilhão do qual fizeram parte a Jovem Guarda, o cinema de Glauber Rocha em "Terra em Transe", os parangolés e instalações de Hélio Oiticica (autor da expressão "tropicália") e o teatro de Zé Celso Martinez Corrêa, cuja montagem de "O Rei da Vela" trouxe à tona o ideário antropofágico de Oswald de Andrade – ingerir as influências estrangeiras e regurgitá-las na forma de um produto original.

O início de tudo foi o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record – recuperado com excelência em "Uma Noite em 67"–, quando Gilberto Gil, acompanhado pelos Mutantes, combinou Beatles, Banda de Pífaros de Caruaru (nas palavras do autor, o "folk pernambucano"), a agressividade do rock e roda de capoeira em "Domingo no Parque", enquanto Caetano abraçava a cultura pop e as guitarras em "Alegria, Alegria".

O sucesso do experimento fez o grupo apostar cada vez mais alto, uma radicalidade bem exemplificada no discurso inflamado de Caetano no Festival Internacional da Canção, debaixo de vaias ao cantar "É Proibido Proibir", e o amalucado programa de TV "Divino Maravilhoso", em que plantar bananeira era tão trivial quanto ver a banda passar.

Para os já iniciados, além da chance de ouvir uma trilha sonora dos sonhos no cinema e ver entrevistas atuais com toda essa gente, o grande atrativo são as imagens. Nas mãos do montador Oswaldo Santana ("Bruna Surfistinha", "Natimorto"), até mesmo as fotos da época, a maioria em preto e branco, ganham cadência e movimento, através de cores psicodélicas que invadem a tela, ou com animações criativas que utilizam até canetinha e recortes de jornal para ilustrar cenas que se perderam com o tempo.

Não tem preço assistir a Roberto Carlos, de cartola, cantar "Se Você Pensa" num cenário com castelos e cogumelos gigantes. Ou acompanhar o casamento hippie de Caetano e Dedé Gadelha em Salvador, na beira da praia, com biquini, plumas e um exército de fotógrafos. Ver Os Mutantes, no mesmo programa jovem em que estão os Novos Baianos e Tom Zé (usando um lenço de caubói), tocando "Panis et Circenses", e depois na TV francesa, combinando guitarras wah wah e pandeiro em "Batmacumba".

Os pontos altos, porém, são as raríssimas apresentações de Caetano e Gil no Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, em 1970, e a performance de Caetano num programa francês – com cabelos a la Maria Bethânia e apresentado como "um mito, um dos músicos mais maravilhosos do mundo", ele defende, sozinho no violão, "Asa Branca".

Pérolas como essas só foram possíveis graças a um hercúleo processo de pesquisa e restauração, levado a cabo ao longo de cinco anos. O resultado final é um filme colorido e coeso, de acabamento internacional, que recupera e presta tributo a um capítulo primordial de nossa história, além de escancarar sua influência até hoje. Obrigatório para entender a cultura brasileira. Marco Tomazzoni

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Filme "Senna" surpreende por ser documentário com ritmo de ficção (12/11/10)

Foram necessários 16 anos, mas finalmente a história de Ayrton Senna ganhou projeção nas telas de cinema. Um ano após a morte do tricampeão da F-1, surgiram especulações de que uma grande produção de Hollywood abordaria a vida de um dos maiores ídolos do Brasil – com o ator espanhol Antonio Bandeiras no papel do piloto. A ficção nunca saiu do papel. E agora dá lugar a um documentário, mas com ritmo de filme de ação. Esse é um dos grandes méritos do longa do promissor diretor inglês Asif Kapadia, que optou pela edição de milhares de imagens de arquivo, mas sem cair na chatice dos típicos documentários que mesclam enormes entrevistas atuais com cenas de época. Habilidoso, Kapadia conseguiu montar um documentário inteiro com ritmo de ficção.

O filme "Senna" é imperdível para os fãs de F-1. A começar pelas dezenas de imagens inéditas, como as das reuniões dos pilotos (atente para a genial participação de Nelson Piquet em uma delas) e do austríaco Roland Ratzemberger, que morreu um dia antes de Senna em Ímola. O documentário também brilha pela magia daquelas cenas clássicas que, na grande tela do cinema, ganham contornos surreais, como as imagens de Senna competindo de kart antes de estrear na F-1 e nas câmeras "on board" da McLaren. A volta de classificação do brasileiro em Mônaco – antológica por humilhar todos os seus rivais com superioridade jamais alcançada por outro piloto – é de tirar o fôlego. Mesmo quem acompanha a F-1 hoje em dia se impressiona com a velocidade do brasileiro pilotando o carro, trocando marchas e escapando a centímetros dos guardrails do apertadíssimo circuito das ruas de Monte Carlo.

Mas este é um filme também para aqueles que querem conhecer a história do ídolo Ayrton Senna. Aqueles que pararam de assistir à F-1 depois da tragédia de 1994 irão às lágrimas nas cenas mais dramáticas. Há momentos hilários, como a participação do piloto no programa da Xuxa (o que para os diretores poderia ser um momento cômico, também arranca memórias da infância de parte do público). A estética anos 1980 também cria humor sutil, como na entrevista de Alain Prost, em que o francês mostra seu lado mais canastrão em brincadeiras com uma repórter de TV. O saudosismo é inevitável durante a sessão.

“Senna”, é claro, pode ser demais para quem não suporta ver carros de corrida – o documentário tem 1h47 de duração. Mas a história de Senna é um modelo universal do herói clássico. Todos os elementos estão ali: a ascensão meteórica (em Mônaco, 1984, em sua estreia), um forte rival (Prost), os duelos (sobretudo em Suzuka), o vilão (o francês Jean-Marie Balestre, presidente da FIA à época), o drama e o triste final que, claro, todos nós conhecemos. “Senna” não é um retrato 100% positivo do herói – o filme mostra seu lado obsessivo pela competição, como o de querer humilhar Prost em Mônaco, de se vingar do francês em um perigoso acidente. O ídolo, afinal, tinha seus defeitos, mas o filme não busca ser um juiz imparcial da carreira do brasileiro. Seu grande mérito é reproduzir na tela de cinema o melhor da genialidade do esportista Ayrton Senna. E é exatamente isso o que seus fãs esperaram por mais de 16 anos. (Rodrigo França - iG) _____________________________________________________________________________

Vida sobre Rodas: Assista ao trailer do documentário sobre skate no Brasil (13/08/10)

Enquanto a Câmara Municipal de São Paulo aprova em primeira votação uma possível lei que proíbe andar de skate em calçadas na cidade, chega à web o trailer de Vida sobre Rodas. O documentário do diretor Daniel Baccaro conta a história do skate no Brasil nos últimos 30 anos, alavancada pelo sucesso em competições de nomes como Bob Burnquist e Sandro Dias, o Mineirinho. Tony Hawk, Lance Mountain, Danny Way, Christian Hosoi e outros também dão seus depoimentos. A música do filme está a cargo de Mauricio Takara e Daniel Ganjaman.

A estreia é prevista para 26 de novembro. Ainda não foram definidas as cidades, mas a ideia é que o filme saia nacionalmente.


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Veja o trailer do documentário sobre o poeta beat William S. Burroughs (08/06/10) A produtora de Adam Yauch, do Beastie Boys, liberou o trailer do documentário sobre o escritor e poeta da geração beat William S. Burroughs. Intitulado William S. Burroughs: A Man Within, o filme tem entrevistas com Iggy Pop, John Waters, Laurie Anderson, Patti Smith e Thurston Moore, entre outros artistas influenciados por Burroughs. Veja o trailer:

Algumas das colaborações de Burroughs foram com Kurt Cobain, no EP The "Priest" They Called Him, de 1992, do Nirvana, com o U2, no vídeo de "Last Night on Earth", e com o R.E.M., na faixa "Star Me Kitten". O livro mais conhecido do escritor é Naked Lunch, de 1959. Depois de ser exibido em cinemas lá fora, no segundo semestre, o documentário será lançado em DVD. William S. Burroughs morreu em 1997. (Luciana Maria Sanches) ____________________________________________________________________________

Scorsese termina documentário sobre George Harrison (16/05/10)

"Living in the material world: George Harrison" ("vivendo no mundo material", em tradução livre) é o título do documentário, que mostrará imagens inéditas sobre a vida do guitarrista e de sua mulher da época dos Beatles até sua morte, em 2001, como informa a edição especial da revista "Variety" para Cannes.

Scorsese, que está em Cannes para promover o documentário, explicou que é uma experiência libertadora estar envolvido num projeto de não-ficção. "De certa forma, me liberta das restrições de um longa-metragem. Tenho liberdade narrativa", afirmou Scorsese. O documentário será mais um de Scorsese sobre música. O diretor já rodou "The Last Waltz" (1978), sobre um show do grupo The Band; "Shine a light" (2008), sobre os Rolling Stones, e "No direction home: Bob Dylan" (2005). EFE ______________________________________________________________________________ Documentário vencedor do Oscar 2010 pode ser visto de graça na Internet (18/03/10)

The Cove, o documentário vencedor do Oscar 2010, pode ser assistido de graça na rede, a partir do site Documentary Heaven. O longa tem uma hora e meia de duração.O filme adota uma narrativa de thriller de espionagem - com o ex-treinador de animais Ric O'Barry acompanhado de câmeras e mergulhadores em operações clandestinas - para denunciar a caça a golfinhos no Japão. The Cove é dirigido por Louie Psihoyos e não tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros. Marcelo Hessel

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